Blog da Laura Peruchi – Tudo sobre Nova York
Diário de viagem

Diário de viagem a Nova York – Bruno Soares

O Diário de Viagem é uma seção que traz relatos de leitores do blog. Nesses relatos, eles contam como foi a viagem a Nova York, o que mais gostaram de fazer, o que não gostaram, dividem dicas, enfim: um diário mesmo. O convidado de hoje é o Bruno Soares. Ele mora no Canadá e ficou 4 dias, em setembro. Para conferir mais relatos, clique aqui.

Caio e eu gostamos de ter os pés no asfalto. Viajar, para nós (ainda mais em uma viagem tão curta), significa estar entre prédios, becos, pontos de ônibus, e pessoas correndo para chegar ao trabalho. Por isso, desde quando começamos a planejar nossa primeira vez em Nova York, fazer compras e perder horas em outlets estava fora de cogitação. Até mesmo a tentação de ir a um show da Lana Del Rey a poucos quilômetros da cidade foi deixada de lado. Tudo o que trouxemos de Nova York foi uma camiseta básica extra, comprada por conta do calor inesperado, um ímã de geladeira com o tema “Coney Island”, uma toalha nova, alguns calos e muitas lembranças.

Moramos na costa oeste do Canadá, e quando tivemos a confirmação de que eu iria passar alguns dias em Toronto para uma conferência no fim de setembro, pensamos: por que não? Afinal, Toronto está tão perto de Nova York e, de lá, as passagens são tão baratas. Havia apenas um problema: não tínhamos tanto tempo assim de folga e poderíamos passar somente quatro dias a mais longe de casa. Começamos, então, a pesquisar maneiras de fazer uma viagem curta à cidade onde nasceu Susan Sontag e morreu John Lennon. Foi assim que esbarramos com o canal da Laura, cujo trabalho foi essencial na organização do roteiro. Por isso mesmo, quando ela sugeriu que eu escrevesse este diário para o blog, não pensei duas vezes.

Criamos um programa bem detalhado, com horário e tudo. Nosso principal objetivo era ver o máximo de coisas possível e gastar pouco. No meio de todo o planejamento, com as passagens já compradas, descobrimos que o MoMa, um dos programas pelos quais estávamos mais ansiosos, estaria fechado para reformas. Acabamos, então, tendo que mudar um pouco os planos, e ter organizado tudo com detalhes facilitou as alterações.

Primeiro dia – Nosso voo partiu de Toronto às seis da manhã do dia 21 de setembro de 2019. Voamos com a Delta, o que custou um pouco menos de 400 dólares canadenses o casal. Para quem sai de lá, há também a opção de que ir de ônibus ou trem, mas como queríamos poupar tempo, não era a melhor escolha. Uma boa notícia é que quando se vai para os Estados Unidos do Canadá de avião, a imigração americana é feita antes do embarque, e isso foi ótimo. Tínhamos reservado um tempo um tanto quanto exagerado para a fila da imigração, mas quando chegamos aos Estados Unidos em voo “doméstico”, já estávamos livres para ir onde quiséssemos.

Pegamos o AirTrain para a Jamaica Station, no Queens e, de lá, o metrô para a 34th Street–Penn Station. Assim que saímos da estação e sentimos todo o calor do mundo, olhamos para trás e demos de cara com o Empire State Building, parado ali como um cenário. Lá estava Manhattan, imitando os filmes e videoclipes e toda a sorte de obras de arte que crescemos consumindo. A vontade que tínhamos era de andar sem rumo e explorar as ruas da cidade sem pensar em tempo. Mas o motivo pelo qual descemos ali era porque queríamos chegar ao Schwartz Luggage Storage e deixar nossa bagagem para poder curtir a cidade sem mochilas pesadas nas costas. Isso porque alugamos um Airbnb em Washington Heights, no norte da ilha, e o check-in começava somente às 17 horas.

A partir daí, fizemos o que mais gostamos de fazer: andar. Demos uma olhadinha no New York Times, fomos à Public Library, ao Bryant Park, à Grand Central Station, caminhamos pela 5ª Avenida, entramos na St. Patrick’s Cathedral, e passamos um bom tempo passeando no Central Park. Amamos a energia do lugar, especialmente do Strawberry Fields, e ficamos tão felizes por ali, que decidimos, de última hora, ir ao American Museum of Natural History. Como não podia ser diferente, o dia terminou na Times Square, comendo M&Ms e vendo as pessoas tão pequenas no meio de toda a luz. Por ali, ficou claro que os americanos sabem mesmo fazer espetáculo.  À noite, andamos pela região da Broadway, buscamos nossa mala no storage, e fomos para o Airbnb. Por falar nisso, não foi uma experiência cinco estrelas, mas tudo deu certo. Pagamos cerca de 50 dólares canadenses por dia, estávamos em frente ao metrô, o quarto era limpo e com ar-condicionado, e os anfitriões, organizados.

Segundo dia – Este foi, sem dúvidas, nosso dia preferido. Acordamos às seis da manhã, nos arrumamos, e comemos alguma coisa com calma em um café perto de onde nos hospedamos. Depois, pegamos o metrô para, se não me engano, próximo à região de Tribeca e fomos caminhando até a Staten Island Ferry, onde chegamos por volta de 9 da manhã. Essa foi uma das dicas da Laura que deu super certo. A vista da Estátua da Liberdade proporcionada pela barca gratuita é melhor do que imaginávamos. Há, ainda, a vista clássica para Manhattan, que vai se revelando um pequeno tabuleiro de Lego conforme o barco se afasta. No final do passeio, demos meia volta e retornamos para o barco de volta a Manhattan.

Depois foi hora de explorar o Financial District. Vimos todas as coisas clássicas da região de Wall Street, incluindo o famoso touro, o Federal Hall, e o NY Stock Exchange. Tiramos algumas fotos, passeamos por algumas ruas, e depois fomos caminhando para o 9/11 Memorial, onde passamos algum tempo, sem entrar no museu. Dali, seguimos para o The Oculus e depois fomos almoçar em um Shake Shack próximo. No caminho, encontramos uma feirinha com pastéis de nata e comidinhas locais. No começo da tarde, o destino foi a Brooklyn Bridge. Cruzamos a ponte, que estava lotada de turistas, a pé. Quando chegamos ao Brooklyn, nos demos de cara com uma Nova York mais calma e automaticamente menos turística, mesmo no comecinho do bairro. Descansamos um pouco em um dos bancos do Brooklyn Heights Promenade, caminhamos até a região do DUMBO onde fica a famosa vista para a Manhattan Bridge, tomamos um sorvete, e pegamos um metrô para Coney Island.

Parte do metrô estava em obra, e tivemos que ir de trem somente até certo ponto para depois pegar um shuttle bus e chegar à praia. Essa região da cidade nos lembrou um pouco alguns bairros pobres da América Latina, tanto pela arquitetura, os camelôs e lanchonetes, como pela desigualdade evidente. Além disso, o clima de praia no fim de semana, uma das coisas que mais sentimos falta no Brasil, nos deixou em casa. Sabemos que não se usa toalha recém-comprada sem lavar, mas como em viagem algumas regras são suspensas, e o Caio, coitado, estava morrendo de saudade do mar, contamos com a sorte e compramos uma toalha e um calção de banho, e esperei na areia enquanto ele tomava um mergulho. A seguir, caminhamos um pouco na praia, exploramos o Luna Park e, no fim do dia, comemos o famoso cachorro-quente do Nathan’s – que, inclusive, recomendamos fortemente. À noite, curtimos as ruas de Manhattan mais um pouco, explorando o Upper East Side e, quando a madrugada se aproximava, pegamos o metrô e fomos dormir.

Terceiro dia – Nesse dia, desobedecemos à Laura e fomos a mais de um museu. Ela tem razão, foi bem cansativo, mas não nos arrependemos. Para quem tem a oportunidade de deixar para outro dia, recomendo que façam isso. Acordamos na mesma hora do dia anterior e, da mesma maneira, tomamos café em um lugar perto de casa. Aliás, algo que tenho que confessar sobre essa viagem é que fomos preguiçosos com comida. Tínhamos mil planos de comer em lugares diferentes, mas acabamos fazendo nossas refeições por onde passávamos.

A primeira parada turística foi o campus da Columbia University, no Harlem. Nós amamos um campus universitário, então, por mais que não fôssemos ficar muito no local, quisemos dar uma volta pelas bibliotecas e pelo jardim, só para sentir a energia. Aliás, a energia do Harlem em si é muito boa, e queríamos ter ficado um pouco mais por lá. Fomos ao Apollo Theater, olhamos umas casinhas bonitinhas, e logo pegamos um ônibus para a região do Central Park. Uma nota sobre transporte público em Nova York é que, enquanto o metrô definitivamente precisa de um upgrade, os ônibus foram uma grata surpresa, com tomadas para carregar o celular e WI-FI. Pelo menos para quem era turista, funcionou bem.

O primeiro museu foi o MET. Já estávamos com os tickets comprados e não enfrentamos filas. Tem muita coisa para ver e, por mais que tenhamos nos esforçado, não conseguimos cobrir tudo. Ainda assim, conseguimos ver para além das coisas que mais nos interessavam, completando a visita entre 10:40 e 3 da tarde com uma rápida parada para o almoço em uma carrocinha de donair ali na frente. A coleção do museu é bastante interessante e para quem gosta ou não de arte é uma parada obrigatória. Depois disso, fomos ao Guggenheim. Esse museu é bem menor do que o outro, o que ajudou bastante. Mesmo assim, com somente duas horas, tivemos que correr muito. Passamos o olho pelas exposições menos importantes para nós, mas conseguimos ver com calma as exposições com obras do Basquiat e do Mapplethorpe, as que mais nos interessavam.

No fim, não resistimos: ficamos um pouquinho mais pelo Central Park e tomamos um sorvete, já que estava muito calor. Dali, caminhamos mais pela cidade e, às 20, fomos ao Top of the Rock, que também já tínhamos deixado marcado antes de viajar. No começo, toda a burocracia de subir no prédio é um pouco chata, mas depois da subida, vale muito a pena. Nova York é uma cidade para ser vista assim: de cima, como uma grande floresta de concreto e luz.

Quarto dia – No quarto e último dia, nosso voo saía no começo da noite. Por isso, voltamos ao luggage storage para deixar nossas bagagens e poder curtir o último dia com as costas leves. Como tínhamos pressa, compramos nosso café da manhã em um Dunkin Donuts próximo ao storage e fomos comendo no caminho para o The Vessel, o mais recente ponto turístico da cidade, que fica no Hudson Yards. Nosso veredicto: a não ser que você queira muito ir, ou tenha bastante tempo para ficar na cidade, evite este lugar. O monumento é de mau gosto e não pareceu combinar muito com Nova York. A atração é sem graça e funciona mais no Instagram do que na vida real. Me pareceu mais uma touristic trap. Depois disso, seguimos para o High Line Park, esse sim uma intervenção urbana interessantíssima. É muito bacana ver aquela linha de trem abandonada se transformar em um imenso jardim, rodeado por grafites incríveis de artistas como o Kobra. Todas as cidades do mundo deveriam aprender com o High Line.

A partir daí, seguimos para o Chelsea Market e então para a região do Greenwich Village. Conhecemos boa parte da região cara à história da comunidade LGBT, como o Stonewall National Monument, o Aids Memorial Park, a Gay Street, e a própria Stonewall Inn. Passamos também, rapidinho, pelo Friends apartment, uma atração dispensável para quem tem pressa. A próxima parada foi o Washington Square Park, a região da NYU e da Parsons, além do famoso Flatiron Building. Almoçamos em uma ótima pizzaria baratinha, a Champion Pizza. Tudo deve ter dado uns 8 dólares por pessoa, incluindo duas fatias grandes e uma bebida, e, para quem é do Rio de Janeiro e sente saudade da Vezpa Pizzas, esse é um excelente lugar para ir, principalmente porque a franquia carioca é inspirada nesse modelo de pizzaria.

Agora, um erro amador: deixamos para o último dia a nossa visita ao prédio da ONU. O problema é que justamente nessa semana começava a reunião do clima, reunindo chefes de estado do mundo inteiro. Quando chegamos lá, os arredores das Nações Unidas estavam completamente cercados por policiais e só passava quem tinha credencial. Até perguntamos a um policial se podíamos nos aproximar do prédio, só por via das dúvidas, mas a resposta foi a que já esperávamos. Aproveitamos a oportunidade para descansar um pouco. Não sei se vocês repararam, mas fizemos quase tudo o que descrevi até aqui a pé, e nesse último dia, o corpo começou a reclamar. Deixamos o cansaço vencer e decidimos passar nossas últimas horas em um café na Times Square, conversando e vendo as luzes. Fomos de ônibus, é claro.

Talvez tenha sido só nessa hora, o único momento em que nos permitimos relaxar, que caiu a ficha: estávamos na cidade que, desde o começo do nosso namoro, sonhávamos em conhecer juntos. Pena que faltava tão pouco para ir embora. A verdade é que queríamos ficar mais. A seguir, veio o momento doloroso: pegamos nossas malas no storage e seguimos de metrô para o AirTrain em direção ao aeroporto. Poucas horas depois, estávamos de volta ao Canadá, deixando aquele cenário absurdo para trás. Era bom estar em casa (e é tão estranho chamar o Canadá de casa!), mas com certeza queremos voltar. Ainda há muita coisa para ver. O MoMa que nos aguarde.

Se você quiser participar, envie seu relato para análise para laura@lauraperuchi.com COM FOTOS, seu nome completo e cidade/estado. LEMBRE-SE que é preciso ser detalhista. Não precisa escrever um livro, mas seu relato tem que ser informativo!


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