Diário de viagem

Diário de viagem a Nova York – Natália Camila Cidral

O Diário de Viagem é uma seção que traz relatos de leitores do blog. Nesses relatos, eles contam como foi a viagem a Nova York, o que mais gostaram de fazer, o que não gostaram, dividem dicas, enfim: um diário mesmo. A convidada de hoje é a Natália Camila Cidral, de Camboriú, SC. Ela ficou 10 dias na cidade, em maio de 2018. Para conferir mais relatos, clique aqui.

Estive em Nova York, com o meu marido, entre os dias 4 e 14 de maio de 2018 e vou tentar resumir um pouco da nossa experiência na cidade, já que os relatos dos outros viajantes me ajudaram muito a montar o roteiro dessa viagem.

Um dos maiores prazeres que eu tenho na vida é sem dúvida alguma poder viajar. Conhecer novas culturas, novos lugares, provar novos sabores e ter novas experiências, tudo isso certamente nos torna mais ricos de uma forma única. Ainda não conhecia Nova York, mas sonhava com esse destino e a expectativa era bem alta. Quando estava planejando a viagem, eu tentei agrupar os lugares por região para facilitar o deslocamento. É claro que as coisas não aconteceram exatamente como o programado, mas, pelo menos, deu uma organizada. Sei que isso vale para qualquer viagem, porém Nova York, em especial, é como se fossem várias cidades numa só. Cada região tem as suas peculiaridades e suas atrações. Então, se não se programar bem, a gente acaba perdendo muito tempo. Priorize aquilo que você quer muito ver e não espere conhecer tudo de uma vez, tem coisas que vão ter que ficar para a próxima, ainda bem rsrsrs.

Passeios: 

Na realidade, eu escolhi a data da viagem para poder ver de pertinho a florada das cerejeiras. Não tem como saber exatamente quando elas vão florir, mas, geralmente, ocorre no final de abril, início de maio. Fui acompanhando no site do Brooklyn Botanical Garden o status da floração e deu supercerto, pegamos o pico da florada, foi lindo. O dia estava ensolarado e a temperatura perfeita, em torno de 20 graus. Fomos durante a semana para pegar o jardim mais vazio. As árvores estavam carregadas formando um túnel cor-de-rosa. Recomendo muito esse passeio pra quem for a Nova York nessa época.

Os melhores lugares para apreciar as cerejeiras em Nova York.

Nesse dia, aproveitamos que estávamos na região do Brooklyn para atravessar a ponte sentido Manhattan e foi uma das melhores coisas que fizemos, o visual é incrível, você sente a vibração da cidade vindo de todos os lados e é transportado para um cenário de filme. Fizemos a travessia sem pressa, curtindo o cenário. Foi um dos programas que não custou nada e que rendeu lindas memórias. Algumas pessoas alugam bike para fazer esse passeio, mas o problema é as centenas de turistas por todos os lados e a maioria não respeita a ciclofaixa. Então, recomendo ir a pé que é bem mais tranquilo e seguro.

Atualize seu roteiro na região do Dumbo!

Outro passeio legal que fizemos e indico muito é ir na feirinha gastronômica Smorgasburg. Nós provamos o Mozzarella Sticks, o Ramen Burger e os bolinhos do DO x Big Mozz e estava tudo maravilhoso. Dizem que os vendedores passam por um processo de seleção bem criterioso e concorrido. Então, pode ter certeza que tudo que tem lá é de muito bom gosto, testado e aprovado. Além de todas as delícias gastronômicas tem uma vista fenomenal do skyline de Manhattan à beira do rio, tem que ir!

Caminhar pelo High Line, um jardim suspenso que fica numa antiga linha elevada de trem, que passava pelo meio de Manhattan, também foi um programa que gostamos bastante. Aproveitamos que estávamos no Chelsea Market (um mercado gourmet) e depois fomos no High Line, pois tem uma entrada bem pertinho. É muito limpo, silencioso, conservado e cheio de bancos. A vista é linda, vale a pena o passeio, mas é o tipo de programa pra fazer num dia de sol, se estiver chovendo, é furada.

O Memorial do 9/11 também é um lugar que vale a pena conhecer e que poderia ser algo pesado, mas conseguiram transformar em algo bonito, para refletir, pra lembrarmos daqueles que se foram e como tudo aconteceu para que não ocorra novamente.

Aproveitando que estávamos por alí, fomos na estação Oculus, projetada por Santiago Calatrava, o mesmo arquiteto do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro e da Puente de la Mujer, em Buenos Aires. Arquitetonicamente falando, é de babar: todo clean, branco e com um espaço enorme vazio no meio. Tem um shopping anexo chamado Westfield World Trade Center, que não é o paraíso das compras que a gente espera de uma viagem para os Estados Unidos, pois as lojas são mais caras, vale mais como passeio pela arquitetura.

Também fomos no Brookfield Place, que fica em frente ao One World Observatory, um shopping pequeno, com lojas focadas no mercado de luxo, mas que conta com o Le District, uma versão francesa do Eataly. Fomos no horário de almoço, então as pessoas que trabalham pela região estavam almoçando nas mesinhas e nos bancos da área externa que tem uma vista linda para o Rio Hudson. Nós acabamos almoçando no P.J. Clarke’s que também fica ali, de frente pro píer e, embora não estivesse no roteiro, comemos um hambúrguer com batatas fritas deliciosos. Gostei muito da vibe do lugar. No pôr do sol também deve ser bem legal ir.

Depois do almoço embarcamos no Staten Island Ferry pra ver a Estátua da Liberdade. Achei a embarcação bem grande e limpa, superconservada. Obviamente, a distância não é a mesma dos passeios em barcos pagos, mas achei a vista bem satisfatória. Não deu pra tirar aquela foto clássica com a Estátua pertinho da gente, mas valeu muito a pena. Sem contar que tem uma vista incrível para o skyline de Manhattan. Na ida, assim que embarcamos no Ferry, já fomos rapidinho para o lado direito da parte externa pra garantir a vista e deu pra ter uma boa visão. A viagem durou cerca de 30 minutos cada trecho.

Saiba tudo sobre esse passeio!

Agora um passeio que eu adorei e que vale a pena fazer num dia ensolarado foi o passeio de bondinho da Roosevelt Island. Tem uma vista maravilhosa do East River e Manhattan. Não chegamos a caminhar pela ilha, mas a graça do passeio está em justamente pegar o bondinho até ela. O melhor de tudo é que como estávamos com o Metrocard em mãos, esse passeio foi grátis.

Ah, não posso esquecer do passeio de bike pelo Central Park. O parque é enorme e não íamos conseguir ver tudo se não tivéssemos de bicicleta. Aliás, não conseguimos ver tudo, mas deu pra ter uma boa noção do quanto ele é lindo, grande, um verdadeiro oásis no meio de tantos arranha-céus. Não lembro o nome da loja na qual alugamos as bicicletas, mas eu vi que agora o Blog da Laura tem uma parceria com a Unlimited Biking, que oferece um cupom de desconto. Realmente é um passeio imperdível!

Com relação aos museus, gostei muito do MET. Fomos primeiro ao Met Breuer, que estava em cartaz com a Exposição “Like Life: Sculpture, Color and the Body (1300-now) e tinham obras de artistas famosos, sendo que algumas pareciam verdadeiros corpos humanos. A entrada custou U$ 25 e poderíamos ter utilizado o ingresso por 3 dias consecutivos, justamente porque tem muita obra exposta. Quando chegamos ao MET, acabamos não fazendo uma programação prévia do que queríamos ver e ficamos exaustos, não conseguindo apreciar as belas obras do acervo. Fomos só no setor de pintura europeia. Então, se você não tiver muito tempo e disposição para andar e andar, recomendo escolher as principais obras para ver ou o que mais te interessa.

Compre ingressos para as atrações turísticas de Nova York.

O acervo do MOMA – Museu de Arte Moderna achamos muito bom, tinha Van Gogh, Frida Kahlo, Picasso, Andy Warhol, Mondrian, Salvador Dalí, Monet… e detalhe: as obras mais conhecidas destes artistas, aquelas que a gente está acostumado a ver, a vida toda, em livros, estavam lá. É bem interessante e vale a pena a visita. Naquele dia, também estava tendo a exposição da Tarsila do Amaral. A lojinha do museu também achei bem completa com miniaturas de várias obras, decoração, papelaria, brinquedos, vale dar uma passadinha.

O Museu de História Natural, sinceramente, fomos mais para dizer que fomos. Era o penúltimo dia da viagem e estava chovendo bastante, não tínhamos nada para fazer. Achei que é um passeio mais legais para fazer com crianças, não curtimos muito.

Um lugar que me surpreendeu foi Coney Island. Quando iríamos imaginar que encontraríamos um calçadão e um parque de diversão com vista para o mar em plena Nova York? Não pensava que pudesse existir uma praia assim tão perto de Manhattan. Foi muito fácil chegar. Demorou uns 50 minutos. Super tranquilo, gostoso para passear, o Luna Park tem aquele clima dos parques de diversão de antigamente, sabe? Parecia cenário de filme americano, amei. Lá, provamos o cachorro quente do Nathan’s Famous. Pedimos o cheese hot dog e amamos. Embora, aparentemente, seja simples, pão, queijo e salsicha, achamos o cachorro-quente americano melhor que o brasileiro. O pão estava bem macio e a salsicha parecia uma linguiça com sabor suave. Não sei explicar direito, só provando mesmo pra entender. Além disso, veio acompanhado de batatas fritas e o ketchup e a mostarda ficam disponíveis no pós retirada para colocarmos diretamente. Eu vi que tem vários food trucks do Nathan’s em Manhattan, então, mesmo que você não for à Coney Island, vale a pena provar.

Compras: 

No geral, eu achei que Nova York tem várias opções econômicas de lojas e como não estávamos procurando coisas muito específicas, as lojas de Manhattan supriram muito bem as nossas necessidades e acabamos não indo em nenhum outlet. Mesmo com o dólar alto, deu pra garimpar e encontrar muita coisa boa por lá.

  • Uma lojinha que eu adorei foi a Lot Less. É tipo aquelas lojas de R$1,99 no Brasil, onde você encontra de tudo um pouco. Tinha desde gordices até decoração, cosméticos. Pelo que eu percebi, vendem produtos descontinuados e com preços bem mais em conta. Vale a pena conhecer, com certeza você vai sair com uma sacolinha.
  • A Flying Tiger também foi outra loja que eu gostei bastante. É uma rede dinamarquesa e os preços são bem acessíveis, com itens a partir de U$1. Tinha muita coisa diferente, nada óbvia, com um design legal, sabe? Uma perdição.
  • A Bed Bath & Beyond eu achei incrível, tem muita coisa, mesmo. É gigante e queria ter tido mais tempo pra ver tudo com calma, mas não deu.

Outra coisa que eu não poderia deixar de mencionar foram os nossos passeios pelos supermercados de Nova York. De todos que nós fomos, a Target foi o que eu achei mais completo e os preços ok também. Tinha de tudo: maquiagem, cosméticos, inclusive, roupas e, claro, muitas gostosuras que compramos para consumir durante a viagem e também trazer para o Brasil. Fomos umas duas vezes, mas só na segunda vez que eu consegui fazer as compras com calma.

Saiba mais sobre supermercados em Nova York.

O Whole Foods também estava louca pra conhecer e compramos umas barrinhas pra trazer para o Brasil, que acabamos comendo durante a viagem. Eu vi que tem um buffet com self service pra fazer uma refeição mais saudável no próprio supermercado, mas acabamos não comendo lá. No geral, achei os preços bem salgados dependendo do produto, mas vale a pena visitar.

O Trader Joe’s eu achei bem parecido com o Whole Foods, mas com a diferença que os preços são um pouco mais em conta. Pelo que eu percebi os supermercados em Nova York são pequenos, sem estacionamento, mas tem tantos espalhados pela cidade e são tantas opções que você nem sente falta de um hipermercado.

No Dean & Deluca, embora seja um supermercado mais chique, a forma como eles expõem os produtos é tão bonita que vale a pena pagar um pouco mais. Achei a decoração é muito bonita e a qualidade dos produtos deu pra perceber que é melhor também, é um mercado que você se sente bem. Fomos na unidade que fica ao lado da estação do metrô da Prince St. e é parada obrigatória quando estiver passeando pelo Soho.

As farmácias americanas eu também amei, são verdadeiros oásis. Fomos no Walgreens, CVS e Duane Reade e deu pra comprar quase tudo lá, adorei andar pelos corredores. Os preços são bem parecidos. Acho que vale a pena dedicar um tempinho para fazer compras em, pelo menos, uma dessas farmácias.

Alimentação

Quanto às comidas, comemos muito bem em Nova York e não tem nada mais americano que o hambúrguer, né? O primeiro que provamos foi o do Shake Shack e foi o melhor da viagem. Tem em vários endereços, mas fomos ao original do Madison Square e, apesar de ter uma fila enorme, o clima do lugar, as mesinhas ao ar livre, os esquilos, tudo isso deixou a nossa primeira refeição ainda mais inesquecível.

Outra delícia que eu estava louca pra provar era a pizza de alcachofra do Artichoke Basillle’s. A fatia era gigante, quentinha, cheia de queijo… Eu posso ficar tentando adjetivos infinitos aqui e não vou conseguir explicar o sabor dessa pizza, sério mesmo, sem exagero. Eu nunca achei que essa combinação daria certo, mas é maravilhosa. Fomos na unidade perto da Union Square e o lugar era turístico. Humm, já estou ficando com vontade só de lembrar.

Por falar em pizza, peguei a dica da pizzaria Roberta’s num episódio do “Que Marravilha”, do Claude Troigros e confesso que não amei. A pizza era bonita e não estava ruim, mas ficou longe de ser ótima ou de merecer grandes elogios. Pedimos a famous original e faltou molho, os queijos estavam duros e a pimenta roubou toda a cena, mascarando os outros ingredientes. Enfim, não tivemos uma experiência muito legal.

Agora eu fiquei apaixonada pelo By Chloe, não só pelo hambúrguer, mas, principalmente, pela proposta do lugar em redefinir o que significa comer bem. Pedimos o hambúrguer com batata doce frita e nem sentimos falta da carne. Ah, e o catchup era feito de beterraba. Parada obrigatória, mesmo pra quem não é vegano.

4 restaurantes veganos em Nova York.

A Magnolia Bakery, apesar de não ser nenhuma novidade, estava na lista por causa do banana pudding (uma espécie de creme com pedacinhos de banana, parecido com um pavê). Fomos na loja do Rockfeller Center, pois estava no caminho e a decoração da loja é muito fofa, bem clássica. Acredita que gostei mais do cupcake que do banana pudding? Achei até gostoso, mas, pra ser sincera, não achei nada do outro mundo, como falam. Se quiser provar, pede o pote pequeno, se não acaba ficando enjoativo no final.

Um lugar que eu amei e que é perfeito pra quando você quer comer uma confort food, é o The MeatBall Shop. Você escolhe o tipo de almôndega (carne, frango, porco ou vegetariana), o molho e um ou mais acompanhamentos que podem ser polenta, purê de batata, risoto, massa, saladas ou vegetais. Fomos no endereço do Upper East Side, mas tem em outros locais de Manhattan. Aliás, caminhar por esse bairro é muito gostoso, tem várias lojas e restaurantes bacanas. Achei o cardápio mega prático, vem com uma canetinha onde tu marca tuas escolhas e entrega para o atendente.

Mais um lugar que eu amei foi o Cecconi’s. Aliás, esses dois restaurantes foram o que eu mais gostei. O ambiente é lindo e tem uma vista sensacional de Manhattan, mas acabei não fazendo reserva e não consegui desfrutar de uma mesa na varanda, infelizmente. A comida é de primeira e também tem essa pegada confort food. É um lugar descolado, mas, ao mesmo tempo, refinado, sabe? Ótima opção de almoço na região do DUMBO.

Já ia esquecendo de falar do milho verde do Café Habana. Apesar de não ligar muito para milho, tinha visto a dica desse lugar e que esse milho era diferente daquele que estamos acostumados no Brasil e resolvi experimentar. Realmente, é muuuuuiiitooo gostoso! Ele é envolto numa espécie de maionese e queijo ralado, uma delícia. Tipo, não é nada fora deste mundo, mas é uma delícia. Nunca tinha provado nada parecido. Sem contar que o restaurante fica numa região bem descolada do Soho. Mas o local é pequeno, com poucas mesas, tanto que sentamos no balcão de frente pra rua e ficamos observando as pessoas enquanto saboreávamos esse milho delicioso. Achei o atendimento bem rápido e simpático. Não é um lugar para ficar horas comendo, é mais pra comer e sair, sabe? Até porque você está no Soho e é melhor passear, mesmo rsrsrs.

Ah, deixa eu falar do Eataly. Fomos logo no primeiro dia e eu achei um lugar bem turístico, acho que não tinha nenhum local. Não que eu não goste de turistas, afinal, também sou uma, mas prefiro ir a lugares que os locais frequentam. Apesar disso, a padaria e a confeitaria são de dar água na boca. Caminhamos por todos os corredores, é enorme e tem muita variedade. Acabei escolhendo um delicioso cannoli com recheio de ricota e cobertura de pistache. Saímos de lá e sentamos em uma das mesinhas na pracinha que fica em frente e recomendo provarem, bem crocante, feito na hora, uma delícia.

Eu tinha uma lista bem grande de restaurantes que queria ir, não deu pra ir em todos, claro, mas deu pra provar bastante coisa. O sorvete de cereal milk do Momofuku Milk Bar era uma das gordices que estava nessa lista. Eu tinha assistido ao episódio do Chef’s Table com a criadora desse sorvete e queria muito experimentar, mas, sério, não sei o motivo de tanta fama. Quem sabe eu deveria ter provado o cake truffle? Mas acho que Nova York tem outros doces menos famosos e mais gostosos que esse sorvete.

Enfim, é isso! Espero ter colaborado para que outros leitores do blog também tenham uma experiência tão legal quanto foi a nossa e aproveito a oportunidade para agradecer a Laura por compartilhar tantas dicas legais de Nova York, com certeza fizeram a diferença na nossa viagem.

Gostaram do relato da Natália?  Se você quiser participar, envie seu relato para análise para laura@lauraperuchi.com COM FOTOS, seu nome completo e cidade/estado. LEMBRE-SE que é preciso ser detalhista. Não precisa escrever um livro, mas seu relato tem que ser informativo!


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