Blog da Laura Peruchi – Tudo sobre Nova York
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Guia de brechós online nos EUA – e dicas para arrasar nas compras!

Você já comprou roupas de segunda mão? Esse mercado vem crescendo cada vez mais no  mundo – só nos EUA, esse mercado faturou 35 bilhões em 2021. 62% dos consumidores da geração Z e millennials disseram que procuram itens de segunda mão antes de comprar novos. E quase metade dos consumidores da geração Z e millennials (46%) considera o potencial valor de revenda de um item antes de comprá-lo, de acordo com um relatório da ThredUp. Além de movimentar a economia, comprar de segunda mão é mais sustentável, já que pula a fase de produção. O fornecimento de materiais e a produção das roupas são as partes mais poluentes de uma cadeia de suprimentos de moda – a indústria é responsável por 8-10% de todas as emissões de carbono. Já faz tempo que eu sou adepta dessa prática e, no post de hoje, vou sugerir os melhores sites para comprar roupas de segunda mão aqui nos EUA.

Minha história com roupas de segunda mão

Uma das lembranças mais legais da minha infância envolve roupas usadas. Eu tenho várias primas mais velhas e, pelo menos uma vez por ano, as tias mandavam uma sacola enorme, cheia de roupas que não serviam mais nas primas, para a minha mãe dividir entre eu e minha irmã. Era uma delícia abrir aquela sacola e ir explorando todas aquelas roupas lindas – a gente nunca sabia o que viria, mas era sempre uma surpresa boa ir descobrindo o conteúdo daquelas sacolas. Além disso, também cresci vendo minha mãe praticando a mesma coisa – ela sempre tratava de passar pra frente o que não nos servisse mais. Quando meu irmão nasceu, eu tinha 11 anos e lembro bem dela ganhando coisas de bebê usadas de outras mães e, mais tarde, passando pra frente aquilo que não servia mais nele. Então, ter roupas usadas nunca foi um tabu pra gente porque crescemos acostumadas a isso.

Quando eu morava no Brasil, não tinha acesso a muitos brechós – minha cidade era muito pequena e acho que até hoje não há brechós lá. Foi só quando vim morar fora que passei a ter mais contato com esse mundo. Em 2015, eu fiz um workshop no FIT sobre moda vintage e tudo foi bem in locu – a professora nos levou para vários brechós da cidade e eu achei o máximo descobrir esse mundo das lojas de segunda mão. Também foi nessa época que eu comecei a vender minhas roupas pelo enjoei – um dos precursores de venda de itens de segunda mão online. Foi ótimo porque depois da mudança para Nova York, meu estilo mudou demais e muita coisa passou a não fazer sentido no meu closet. Até hoje, eu ainda retiro peças do armário e avalio o que tem um poder legal de venda e o que pode ser doado. Não gosto de acumular.

Depois disso, descobri os sites de segunda mão – os  “enjoei” daqui – e eu não só passei a também colocar algumas coisas à venda nesses sites daqui mas também para comprar. Eu sou muito mais adepta das compras online do que garimpar em lojas. Claro que comprar em brechós físicos tem muitas vantagens – mas eu acho que eu lapidei mais a arte de comprar em brechós online.

O preconceito

Eu sei que talvez esse mercado ainda não tenha atingido mais adeptos no mundo porque existe muito preconceito ao redor de roupas usadas. Bom, em primeiro lugar: existe uma invenção maravilhosa chamada máquina de lavar roupa. Não vou fazer a hipócrita aqui – eu também torço o nariz algumas vezes, mas o meu lema é: comprou, lavou. Não gosto de já usar assim que compro porque não sei se a pessoa me enviou a roupa limpinha e lavada e, na dúvida, não me custa lavar. Então, começamos por aí: não tem por que ter nojo de algo que você pode lavar. Ou você não usaria uma roupa da sua irmã? Da sua amiga? Qual a diferença? Tudo roupa de outras pessoas.

O segundo preconceito – que eu acho uma grande bobagem – é o lance de energia. Nossa gente, sério, não dá… eu não penso de onde a roupa veio e quem usou – tudo que eu penso é: tenho uma peça nova no meu armário, economizei um montão ao comprar de segunda mão e agora ela é minha. Esse vídeo abaixo fala dessa questão e eu recomendo fortemente!

Dito isso… vamos às minhas lojas online favoritas para comprar roupas de segunda mão!

Poshmark

O Poshmark é bem parecido com o enjoei. Você vai encontrar roupas, calçados e acessórios das mais diversas marcas – aqui, o foco não é o mercado de luxo ok? Tem roupas femininas, masculinas e infantis. Tem também produtos para pets e até mesmo cosméticos e eletrônicos!

  • Você pode filtrar por tipo de peça, tamanho, cor, gênero, marcas e até condição do item  -dá pra encontrar roupas novas com etiquetas, procure pela sigla NWT (new with tags);
  • Você pode fazer uma oferta para o vendedor – o famoso “pedir desconto”;
  • Os seus likes ficam salvos na área “My likes” e é como se fosse sua pasta de favoritos, pra você ir acompanhando o preço de alguo que está de olho, por exemplo;
  • Não permite devolução – só dá pra devolver se o item não condizer com a descrição do vendedor;
  • Tem área de comentários para fazer perguntas para o vendedor – você pode, por exemplo, pedir as medidas, tirar dúvida sobre o modelo, etc.
  • Para quem vende: todas as vendas abaixo de U$15, a Poshmark recebe uma comissão fixa de U$2,95. Para vendas de $15 ou mais, você fica com 80% de sua venda e a comissão da Poshmark é de 20%.
  • O Poshmark tem a versão em app e site. Você pode fazer o cadastro com o código LAURAPERUCHI e economizar $10 no seu primeiro pedido. 

Esse é meu perfil por lá.

ThredUp

É uma loja on-line de consignação e brechó que vende roupas femininas e infantis de segunda mão – a ThredUp tem cerca de 55 mil marcas, de Gap a Gucci, com até 90% de desconto comparado aos preços/lojas “normais”. O foco não é no segmento de luxo – é muito parecido com a Poshmark, mas a diferença é que a ThredUp está em posse de todos os itens e, por isso, tudo passapor um rigoroso controle de qualidade antes de ser listado. Os itens são classificados nas seguintes condições: excelente / muito bom / bom.

  • Você pode filtrar por categorias, tamanho, cor, marcas e até condição do item;
  • Você não pode fazer uma oferta – porque não é um marketplace – mas certamente pode aproveitar os códigos de desconto e as promos que rolam sempre;
  • Se você comprar algo e não curtir, pode devolver. Todas as devoluções devem ser postadas no prazo de 14 dias a partir da data de entrega de um item. Lembre-se de que todos os itens estão sujeitos a uma taxa  de US$ 3,99.
  • Para vendedores: você pode enviar seus itens para eles e eles cuidam do resto – verifique a página de comissões.
  • Ganhe 40% de desconto mais frete grátis em seu primeiro pedido através deste link.

Mercari

O Mercari também segue a mesma linha do Poshmark – tem app e site. Da mesma maneira que o Poshmark, o foco não é mercado de luxo. Você vai encontrar roupas, calçados e acessórios das mais diversas marcas – roupas femininas, masculinas e infantis, cosméticos e eletrônicos.

  • Mercari tem uma área chamada Shop Local – são itens que estão à venda na sua região e você pode receber em casa, igual delivery de comida. Bacana para comprar itens para casa e eletrônicos de segunda mão – algo muito comum nos EUA e que te ajuda a economizar uma boa  grana!
  • Também há diversos filtros – peça, tamanho, cor, gênero, marcas, condição do item e também por itens em promoção.
  • Você pode enviar mensagem para o vendedor para tirar dúvidas – não há espaço para comentários.
  • O Mercari permite fazer oferta/pedir desconto
  • Uma das funcionalidades mais legais é que dá pra você salvar uma busca. Vamos dizer que você esteja procurando o modelo X da marca Y. Quando você salva essa busca, o Mercari te notifica de novos itens colocados à venda naquelas especificações.
  • Para quem vende: seus ganhos são iguais ao preço de listagem menos a taxa de venda (começa em 10%), taxa de processamento de pagamento e frete (se você optar por oferecer frete grátis).
  • Você pode usar o código TFTGDY ao fazer o seu cadastro para ganhar até$30 de desconto.

Depop

O Depop tem uma pegada mais descolada. Começou como um app – sua interface lembra muito a do feed do Instagram. Hoje em dia eles também contam com site. Uma das vantagens do Depop, pra mim, é o design minimalista do site: as infos ficam bem claras, sabe?

  • O Depop te dá a opção de pesquisar por itens nos EUA e também em outras partes do mundo.
  • O Depop se posiciona como uma plataforma mais joven e a impressão que eu tenho, sempre que navego por lá, é que tem peças mais cool, sabe?
  • O Depop é focado em roupas, calçados e acessórios.
  • Você pode filtrar por tipo de peça, tamanho, cor, gênero, marcas e até condição do item,
  • O Depop também tem funcionalidade de salvar uma busca e receber alertas
  • Você pode fazer uma oferta e também mandar mensagem ao vendedor para tirar dúvidas
  • Para quem vende: o Depop cobra uma taxa de 10% em cima do valor do item.

The Real Real

Enquanto o Poshmark, Mercari e Depop funcionam como um marketplace, ou seja, um agregador de itens comercializados por pessoas como eu e você, no The Real Real as coisas funcionam de uma maneira diferente. É um dos maiores sites dos EUA para vendas de segunda mão e o foco é no mercado de luxo. Ou seja, você não vai encontrar roupas da Zara ou da Old Navy – a curadoria inclui marcas de luxo e designers famosos. Você pode conferir a lista completa de marcas disponíveis clicando aqui.

  • O The Real Real está em posse de todos os itens listados no site. As pessoas enviam seus itens para eles e eles cuidam do resto;
  • Além de marcas como Chanel, Louis Vuitton, Hermès e Gucci, você vai encontrar outras marcas/designers que não de luxo, mas também não são os mais baratos, como Reformation, Acne Studios, A.L.C., Coach, SAM., Mackage e por aí vai.
  • Não é possível fazer ofertas – mas sempre rolam promoções.
  • Há uma política de devolução – sempre cheque na descrição do item em “shipping & return” para conferir se é possível devolver.
  • A The Real Real tem o processo de autenticação mais rigoroso do mercado – um time de especialistas que avalia os itens para verificar se são verdadeiros (muito importante quando falamos de itens de luxo).
  • O processo de vender com eles é bem conveniente: você pode enviar pra eles gratuitamente ou deixar em uma das lojas (aliás, eles têm várias lojas em NYC!). Eles também cuidam do envio. Obviamente que isso tudo tem um preço – a comissão deles é mais alta e você pode conferir aqui.

ReBag

A ReBag começou como um site especializado num nicho – bolsas de marcas de luxo de segunda mão. Sua seleção inclui mais de 40 grifes. Eles ainda são famosos pela venda das bolsas – mas também dá pra encontrar calçados, relógios e até roupas de marcas de luxo.

Minhas compras e uma historinha

Acima, você consegue ver algumas das peças usadas que eu já comprei online. Honestamente, elas têm um gostinho especial, porque eram peças que eu queria muito – algumas estavam até esgotadas, daí a razão pela qual eu decidi garimpar e fiz ótimos negócios. Mas nenhum deles foi melhor que o meu casaco da SAM. Senta que lá vem história.

No final do ano passado, uma amiga me falou dessa marca. E foi no timing perfeito, porque eu já estava ensaiando investir num casaco BOM de inverno (e infelizmente isso significa gastar algumas notinhas de 100 dólares). Eu fiquei apaixonada pelos casacos da marca – veja bem, casacos de inverno geralmente não são a coisa mais bonita do mundo (ou são todos iguais). Então, o design das peças me ganhou. Eu fiquei de olho no modelo Noho e, inclusive, passei na Bloomingdale’s para provar. Adorei, mas decidi não comprar naquele dia: custava $625. Agora que eu já sabia o tamanho, resolvi fazer uma ronda online para ver se encontrava alguém vendendo um usado em boas condições. Achei vários. Alguns por $400, outros por $500. Já era uma boa economia, claro. Até que encontrei uma menina vendendo o casaco que eu queria, no meu tamanho, por $68, no Poshmark.

E a pegadinha? Havia alguns rasgos/furos em uma manga (ela descreveu isso no anúncio). Aí, pesquisei como consertar isso e decidi tentar a sorte – ofereci $61 e ela aceitou. Quando o casaco chegou, mal pude acreditar: estava como descrito, e, honestamente, os rasgos pareciam piores nas fotos do que ao vivo. Encomendei uma cola especial e adesivos e cobri esss cortes. Terminado o processo, enviei o casaco para a lavanderia – porque ele precisa de lavagem a seco. Aí foi melhor parte de tudo isso: cara… ele voltou como novo! Ganhou vida – certamente, estava sujinho e bem usado.

No total: gastei $68 com o casaco e frete, $24 com a cola e adesivos e $22 com o dry cleaner – total $114. Um novo sairia quase $700 com as taxas. Veja o casaco abaixo:

Dicas para fazer boas compras em brechós online

  • Definir o que você busca – eu sou do tipo de pessoa que usa brechó online com objetivos específicos: eu sei exatamente o item que eu busco. Também rola, claro, de eu navegar pela seleção de algumas marcas que eu gosto, mas na maioria das vezes eu sou bem certeira. Seja qual for o seu estilo, faça uso dos filtros – nem que seja de tamanho. Tem muita opção nesses sites e a chance de você ficar zonzo é alta…
  • Saiba o seu tamanho – eu tenho marcas preferidas e já sei que tamanho uso em cada uma delas. Falo isso porque às vezes a nossa numeração varia de uma marca para a outra. Além disso, as ferramentas de mensagens e comentários estão aí pra isso, então, não tenha vergonha de pedir as medidas para o vendedor.
  • Preste atenção às descrições – até mesmo pra evitar uma pergunta que já pode estar respondida ali. Observe bem as fotos – e não desanime por fotos feias quando você sabe o que você procura. Infelizmente, nem todo mundo capricha na hora de fazer fotos…
  • Tenha paciência – faça uso das ferramentas de alertas existentes em alguns sites se você não está com pressa. Levou um mês pra eu encontrar o casaco da SAM. – e eu sempre pesquisava periodicamente.
  • Pechinche! Muitos vendedores já anunciam o preço com margem para dar desconto. Não custa nada, o não você já tem.
  • E lembre-se: LAVOU, TÁ NOVO!

Espero que vocês tenham gostado desse post e que ele tenha encorajado vocês a também optarem por roupas de segunda mão – nem que seja de vez em quando!


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