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Diário de intercâmbio em Nova York: EC School

No Diário de Intercâmbio de hoje, a gente confere um pouco mais sobre a experiência da Dulce Tributino. Ela mora em Caruaru, Pernambuco. Ela estudou na EC School durante o período de 11 de janeiro e 16 de fevereiro de 2017. Segundo a Dulce, foi um aprendizado e tanto! Espero que curtam o depoimento dela!

Como tudo começou… unir a minha vontade de infância de conhecer outras culturas e aprender e aperfeiçoar o inglês como segundo idioma foram os dois motivos que me levaram a fazer um intercâmbio. Inicialmente, confesso que eu tinha Nova York como segunda opção de destino. A primeira era Londres, mas com a libra esterlina ainda não tão barata para uma estudante, acabei desistindo e foquei meus esforços em Nova York. Antes disso, eu visitei a cidade em 2008 com amigos e passamos dois dias e a experiência não foi uma das melhores, mas algo me dizia que eu teria que retornar para limpar a impressão ruim da cidade.

Outro aspecto que me levou a escolher Nova York está ligado à minha carreira profissional. Estou quase concluindo a faculdade de Relações Internacionais, e acabei desenvolvendo um projeto acadêmico sobre a atuação das Nações Unidas na guerra da Síria, a qual ainda está em curso e por muitas vezes contraditória, devido à sua longa duração. Por causa dessa pesquisa, tive a necessidade e um desafio próprio de ir conhecer a sede das Nações Unidas, que fica justamente em Nova York, e tentar algum contato com alguém de lá de dentro que pudesse me auxiliar na pesquisa. Assim, resolvi unir o útil ao agradável: aperfeiçoar o inglês, conhecer pessoas do mundo todo, vivenciar uma cultura diferente da brasileira e, por fim, conseguir alguém das Nações Unidas para uma pesquisa acadêmica. Experiência melhor impossível!

O processo de visto e a entrevista no consulado – como já fazia um tempo que meu visto tinha vencido desde a última viagem (meu visto antigo ainda era válido por 5 anos, e agora a validade é de 10 anos), tive que refazer todo o processo. Eu mesma agendei a entrevista pela internet – não contei com a ajuda de nenhuma agência ou intermediário para realizar o processo. Fiz a entrevista no dia 26 de novembro (2016)  no consulado de Recife. Fiquei meio tensa, pois entrei sozinha – meus pais tiveram que ficar me esperando fora do consulado. A entrevista durou uns 10 minutos e, no fim, deu tudo certo e o agente consular foi simpático e me desejou uma excelente viagem.

A passagem e o serviço da companhia aérea – comecei o planejamento do intercâmbio em meados de outubro de 2016, e precisava tirar o visto antes. Recebi o passaporte uns cinco dias após a entrevista e já fui pesquisando e muito até encontrar o melhor valor de passagem. Também acompanhei e muito o blog da Laura, que foi uma ajuda e tanto. Vi no grupo do facebook que tinha um cupom de desconto ativo da Copa Airlines, o que foi uma grande ajuda. Tanto na ida quanto na volta, eu tinha uma conexão rápida na Cidade do Panamá, e eu tive que torcer para não ter atrasos entre um vôo e outro. Na ida (viajei no dia 10 de janeiro, no vôo saindo de Recife-PE) tivemos um mega atraso de 20 minutos, o que ocasionou uma luta contra o tempo para eu não perder o outro vôo (Cidade do Panamá- NYC) pois a conexão foi de apenas 40 minutos e, como perdemos 20 minutos na saída de Recife, tive apenas 20 minutos para correr e consegui chegar a tempo de embarcar, sendo a última a entrar no avião. Desembarquei no JFK no dia seguinte (11 de janeiro) com a temperatura de -2° e quase congelei. O serviço da Copa eu considero moderado, mas o que conta é a facilidade de conexão entre os vôos, por ser hub da Copa Airlines. Já na volta não tive sorte, pois minha bagagem foi extraviada e só chegou à minha residência três dias depois, e, para minha surpresa, tive alguns itens furtados. Porém, felizmente, consegui o reembolso da companhia dois meses após a viagem, depois de muita burocracia.

A escolha da escola – por ter realizado grande parte do meu planejamento sozinha, só tive ajuda de uma agência (CI Intercâmbio) apenas no momento de escolher a escola na qual iria fazer o curso de inglês. Depois de fazer muitos orçamentos, optei pela EC School e por um curso semi-intensivo de 4 semanas, e contei com boas recomendações de amigos que já tinham ido, e também pelo desconto que a escola me ofereceu por ser período de férias de inverno. A localização era muito boa, na rua 41 com a Broadway, pertinho da Times Square. Eu pegava apenas uma linha de metrô (Linha Q – minha estação de todos os dias era a 86, pois morei na Segunda Avenida, no bairro do Upper East Side) e uns 15 minutos, no máximo, já estava na escola.

Primeiros dias, professores e turma – as aulas começaram no dia 17 de fevereiro, numa terça-feira, pois no dia anterior era feriado de Martin Luther King. Assim que cheguei, fui apresentada à diretora e à professora Tatiana, que realizou um teste oral para saber um pouco sobre mim, se eu já sabia algo do idioma e quais eram as minhas dificuldades. Após isso, eu e outros estudantes que estavam chegando naquele dia realizamos outro teste no computador, que foi simples. Ainda fiquei esperando onde e como seria a tal “prova” que tanta gente falava, mas, para minha surpresa, esses testes já contavam como prova. Fiquei na turma B1/B2, que aqui no Brasil é o avançado 1 mas lá é o intermediário 2,e eu era a única brasileira da turma. Minha turma tinha, em média, 12 alunos, e sempre havia pessoas diferentes a cada dia, de diversas partes do mundo (China, Coréia, Taiwan, França, Croácia, Turquia e Japão) e a aula não era cansativa. Meu horário era assim: às segundas, quartas e sextas, as aulas eram na parte da tarde, com a professora Heather e geralmente eram de conversação e escrita. Já nas terças e quintas, as aulas eram com o professor Alex, na parte da manhã e geralmente eram de gramática. O único problema das terças e quintas era acordar cedo, pois as aulas começavam as 8:30 e estava um inverno daqueles, e até peguei 3 nevascas. No meu último dia de aula, fiquei triste em ter que voltar e, até hoje, mantenho contato com alguns colegas e meus professores. Fizeram até uma festinha de despedida e foi bem legal. Voltei para casa com a sensação de dever cumprido e melhor, meu inglês melhorou muito.

Moradia e desclocamento JFK-Manhattan – ao escolher a moradia, optei por fazer por conta própria via AirBNB , pois as opções que a escola oferecia eram fora de Manhattan  (Queens ou Brooklyn) e eu queria ter uma certa liberdade, que ficando em casa de família eu não teria. Aluguei um quarto privativo no Upper East Side, na segunda avenida, próximo de muita coisa. A dona é uma brasileira muito simpática, que me acolheu como se fosse filha dela e nos tornamos amigas e ela até brincou e disse que eu tinha sorte, pois foi um achado. Fiquei morando lá por quase 2 meses, e foi uma experiência grandiosa e pude vivenciar bem o cotidiano do nova-iorquino.

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Para chegar à acomodação, peguei o AirTrain e depois o LIRR até a Penn Station e fiz a troca de metrô para a estação da 86 com a Lexington, bem no horário de rush. O engraçado foi carregar as malas pelo metrô, e levei cerca de 1 hora e meia do JFK até a acomodação e deu tudo certo no final, e minha host estava me esperando assim que cheguei.

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Seguro viagem – Eu não levava a sério o seguro viagem – até meus pais ficarem doentes em uma viagem que eles fizeram à China. Se não fosse o seguro viagem a coisa teria se complicado. Daí, optei por fazer por conta própria na casa de câmbio onde comprei os dólares para viajar, e a cobertura foi muito boa e o preço ficou mais em conta. A única situação que passei e que provavelmente teria que usar o seguro saúde foi logo no meu primeiro final de semana, quando fui para a estação de ski de Camelback Mountain, que fica na região de Poconos, na Pensilvânia, a aproximadamente 140 km de Nova York. Nesse dia, a temperatura estava em -2 com sensação térmica de -8 e, como eu nunca tinha esquiado, fui achando que era fácil. Como resultado da aventura, acabei levando um tombo  daqueles e torci o joelho, mas com gelo e repouso fui melhorando e não foi necessário acionar o seguro. Recomendo que se você não tiver equilíbrio, ou não souber andar de skate ou patins não vá, pois é muito difícil e arriscado para quem não tem prática, mas a estação de ski oferece aulas para iniciantes.

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O tour na ONU e a ajuda com a pesquisa acadêmica – logo que cheguei em Nova York, Barack Obama ainda era presidente e só faltava, mais ou menos 10 dias para Donald Trump assumir. Posso dizer que pude ver bem de perto como a sociedade nova-iorquina mudou, mesmo sendo tão poucos dias entre um presidente e outro. Fiz a reserva do tour para o dia 20 de fevereiro, justamente no dia que Trump assumiu e as Nações Unidas estavam uma ebulição só e eu tinha que vivenciar esse fato, em especial dentro de um território internacional que é a ONU. Desde que foi criada, em 1945, a ONU preza pela resolução pacífica dos conflitos e pela manutenção da paz entre os Estados. Não tinha dia mais interessante para participar do tour do que esse, e cheguei lá próximo das 10h30. Assim que você chega, seu passaporte é scaneado e tiram uma foto sua e te entregam um adesivo de visitante. Além disso, há uma checagem de bolsas e pertences por raios-x e você entra na entrada dos visitantes e se depara com as fotos dos ex-secretários gerais que a ONU já teve, uma breve exposição sobre a criação da organização e muitas obras de arte que foram presentes de vários países, e a organização conta com uma biblioteca que é acessível on-line para qualquer pessoa que queira ter acesso a alguns documentos e relatórios sobre as missões e trabalhos desenvolvidos.

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Fiz um tour com uma guia chinesa, pois não havia disponibilidade de visitas em português. Ela falou em inglês durante grande parte do tour e deu para entender muito bem. Visitamos muitas salas da organização, e eu queria muito ver a sala do Conselho de Segurança mas, devido à posse de Trump, os diplomatas tinham convocado uma reunião de emergência para tratar justamente desse assunto e não pudemos entrar lá. O tour dura mais ou menos uma hora e acaba na sala da Assembléia Geral, e foi muito interessante conhecer quase tudo. Entretanto, até comentei com a guia depois que o tour deveria ser mais democrático e mostar mais sobre a atuação da organização, principalmente na parte de segurança internacional e como o Conselho de Segurança formula suas regulamentações para os Estados. Por causa desse meu comentário, consegui conversar com o chefe da segurança do prédio e ele deu várias dicas para minha pesquisa. Ter essa experiência de falar com um funcionário da organização, e saber a opinião dele sobre muitos assuntos, valeu muito mais do que o tour em si. Recomendo a visita para quem realmente se interessa nesses assuntos e quer saber mais sobre política e assuntos internacionais.

Considerações finais – eu queria ter ido a Washington DC, mas o tempo ficou mais focado em conhecer Nova York e arredores. Além da Pensilvânia, conheci algumas pequenas cidades de New Jersey, como Newark, Elisabeth e Pennington. E claro que eu voltaria, pois Nova York é capaz de inspirar a cada esquina e apenas uma só viagem não é o suficiente para conhecer tudo o que ela oferece. Hoje, tenho uma nova impressão de mundo por conta do que aprendi vivendo lá por quase dois meses. Essa experiência me fez ter uma visão de algo que eu não tinha, principalmente pelo grande número de imigrantes que lá vivem e que fazem a diferença em um mundo tão competitivo. Busque muita informação, planeje exatamente o que você quer vê e se você tiver muito tempo na cidade, não se prenda a roteiros e busque descobrir uma cidade diferente da qual os turistas vêem. E não tenham medo de ir no inverno, é ainda mais lindo!

Espero que tenham curtido o depoimento da Dulce! Você quer participar do Diário de intercâmbio? Envie seu relato para análise com FOTOS: laura@lauraperuchi.com e siga os tópicos do post (você pode acrescentar mais tópicos caso ache necessário!)


1 comentário

  1. Olá, Laura! Acabo de ler o relato de viagem da Dulce e achei incrível!
    Gostaria de saber o nome da brasileira que a recebeu em sua residência pelo Airbnb.

    obrigada;)

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