Blog da Laura Peruchi – Tudo sobre Nova York
turismo

Nova York é uma cidade segura? Tudo que você precisa saber!

  • “Que bairros devo evitar em Nova York?”
  • “O Brooklyn é perigoso?”
  • “Mas não vou ter problemas no Harlem?”
  • “Posso pegar o metrô à noite?”

Esses são apenas alguns dos questionamentos que eu já ouvi nesse tempo criando conteúdo sobre Nova York. Brasileiro é meio vacinado, a gente sabe da realidade violenta de muitas cidades e entendo a preocupação e a precaução ao viajar pra fora. De fato, há cidades no mundo que requerem muitos cuidados. Porém, quando falamos de Nova York, já dá pra avisar de antemão: relaxa! Para deixar vocês mais tranquilos, resolvi falar um pouco sobre isso.

Os números não mentem – segundo uma matéria da BBC, Nova York vive seu momento mais seguro em décadas. A cidade, que é a mais populosa dos Estados Unidos, teve 290 homicídios em 2017, segundo dados oficiais. É o menor número desde 1951, quando essas informações começaram a ser coletadas. Em relação à população, a taxa de homicídios de 2017 foi de 3,4 por 100 mil pessoas – muito abaixo dos 30,7 registrados na década de 1990. Para comparação, essa taxa foi de 30 no Brasil em 2016, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Nenhuma cidade registrou uma queda assim.

Os números não mentem 2 – contra fatos e contra dados não há argumentos. Eu gosto muito de compartilhar esse mapa do crime na cidadeclique aqui para acessar. Você pode filtrar por tipo de crime – estupro, roubo, assalto, assassinato – e por período. Ele divide a cidade em grandes bairros e ilustra o número de crimes em tais bairros por a cada mil habitantes. Quanto mais forte a cor, maior o número de ocorrências. Só vou sugerir uma pesquisa simples para quebrar paradigmas: filtre por Robbery e você verá que o índice de roubos em Midtown – na sua tão querida/sonhada/amada Times Square é o maior índice da ilha de Manhattan – mais que o Harlem, “temido” por tantos turistas! Fica aí a reflexão. Perceba também que várias áreas no The Bronx tem os mesmos índices que bairros como Upper East Side e Upper West Side. O que me leva ao próximo tópico.

Há medos que nascem do preconceito – decidi começar o post com dados porque números não mentem e é neles que todo mundo se baseia para definir se um lugar é considerado “perigoso”. De onde vem o seu medo do Harlem ou do The Bronx? Do “ouvi dizer”? Do “me disseram”? Ou do preconceito disfarçado? Sim, é duro assumir preconceito, mas em muitos casos é ele que disfarça esse “medo” muitas vezes infundado. Eu já vi tantos comentários preconceituosos (leia-se racistas mesmo) e gostaria muito de convidar todos a fazer uma reflexão. De onde vem isso? Do fato de existirem menos brancos nessas áreas? Sim, Harlem já foi perigoso no passado e o The Bronx, se você checar no mapa do crime, ainda tem bairros mais críticos, mas há regiões, como salientei, com os mesmos números de regiões de Manhattan. É fato: não dá mais para generalizar um bairro inteiro. É quase impossível falar para evitar determinada área principalmente sem conhecer e só repetir o que outros dizem. Muita gente fala do The Bronx ou do Harlem sem nunca terem colocado os pés perto ou se interessado em conhecer melhor. Cuidado, pois o seu preconceito pode te impedir de conhecer um Harlem rico em cultura e um The Bronx cheio de identidade. Não espere que o Harlem seja igual à Midtown, que é diferente de Williamsburg, que é diferente de Astoria. O que faz Nova York ser interessante, é, justamente, sua riqueza cultural.

Cuidado com os golpes – fique atento para não se preocupar demais com coisas que nem têm sentido e acabar esquecendo de prestar atenção a outras coisas e dar bobeira. Tô falando dos golpistas. Turistas são alvos fáceis dessas pessoas. Na alegria da viagem, na empolgação do momento, parece que perdemos o senso crítico e fica fácil cair em ciladas. Em Nova York não é diferente. Existem muitos espertinhos espalhados pela cidade tentando tirar vantagem de você. E uma das melhores maneiras de não cair nesses golpes é saber um pouco de cada um deles para identificar a situação e cair fora rapidinho.

Dicas práticas – depois de ler tudo isso, é hora de salientar algumas dicas e recomendações:

  • Não dê bobeira – mantenha seus pertences próximos, cheque se a sua mochila/bolsa está bem fechada e fique atento, principalmente em locais muito cheios – sim, estou falando da Times Square, já que, você já sabe, é o ponto com mais roubos em Manhattan.
  • Prefira os vagões de metrô mais cheios à noite – arrisco dizer que até meia-noite, 1 da manhã – e mais tarde nos fins de semana – os metrôs são bem movimentados. Se for tarde da noite, prefira os vagões com mais pessoas, só por precaução. Dica extra:embarque no vagão onde fica o condutor, geralmente no meio do trem (não se preocupe, você vai ver).
  • Discrição, sempre – respeite a individualidade dos outros: muitas pessoas chamam atenção, seja pelos cabelos ou roupas diferentes, mas jamais encare alguém! Seja discreto!
  • Não encoste nas pessoas – se você precisar pedir licença ou pedir alguma informação, não toque nas pessoas. Isso é considerado invasivo e a maioria não gosta.
  • Finja que não é com você – ao passar alguns dias aqui, você provavelmente vai encontrar alguém alterado no metrô ou pelas ruas. Aí, vale a dica de antes: seja discreto, finja que não é com você e mantenha distância.

Para as mulheres:

Ser mulher significa estar constantemente atenta à ameaça de estupro.  A maioria dos crimes assim em Nova York e no mundo não envolve estupradores que aparecem do nada: na maioria das vezes, é cometido por alguém que a vítima conhece. Mesmo assim, é inteligente estar ciente do seu entorno o tempo todo, especialmente à noite.

  • Não fique de fones de ouvido à noite.
  • Seja vigilante em locais isolados, onde não há outros pedestres.
  • Se um homem mexer com você (sim, isso acontece aqui também!) a melhor coisa que você pode fazer é ignorá-lo.  Se um homem estiver te seguindo ou fazendo você se sentir desconfortável, entre em um local público – uma loja, um restaurante. Se você quiser sair do bairro, ligue para um Uber ou Lyft para buscá-lo.Os nova-iorquinos sempre a ajudarão se você estiver com problemas, seja um caixa, um barman ou uma garota que você encontra no banheiro. Peça ajuda se precisar.
  • Se você tiver um encontro com alguém, avise alguma amiga quem você está encontrando e onde. E nunca esqueça que você não precisa fazer nada que não queira. Você não precisa dormir com ele, não precisa ir à casa dele, não precisa tomar outra bebida.  Neste podcast, você pode ouvir dicas sobre paquera e encontros em Nova York.

 

 


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