Blog da Laura Peruchi – Tudo sobre Nova York
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Para perder o medo de falar inglês e a vergonha do sotaque

Eu sempre fui apaixonada por idiomas. É até meio “natural”, já que eu sou de humanas, então, sempre preferi disciplinas como História, Geografia, Filosofia, Literatura e, claro Língua Inglesa, quando estava na escola. Eu não sei exatamente quando eu me dei conta da possibilidade de estudar outra língua, mas lembro que esperei ansiosamente pelo ano em que eu finalmente começaria a ter aulas de inglês na escola. Na época em que eu estudei, o inglês não era uma disciplina que fazia parte de todas as grades no ensino público. Lembro como eu fiquei feliz e animada com meu primeiro dicionário – um mini da Michaelis. Ele se tornou meu fiel escudeiro não só nas atividades escolares, mas também nos exercícios que eu me propunha a fazer em casa: traduzir as letras das minhas músicas favoritas de Hanson, Bon Jovi e Spice Girls. Minha mãe também conseguiu uns livros antigos dos meus tios, esquecidos na casa da minha avó. Lembrem que isso foi há mais de duas décadas, quando em nem sonhava com internet e também não tive oportunidade de ir para um cursinho pago.

Mas eu lembro que desde o primeiro contato com o inglês eu sonhava em ser fluente um dia. Eu não sabia nem se eu ia usar o inglês na vida, mas eu queria poder, um dia, dizer: eu falo inglês. O tempo passou, eu fui pra faculdade de Jornalismo e, lá no fundinho da mente, eu guardava aquela meta de falar inglês. Agora, eu tinha mais um incentivo: eu seria uma jornalista e, na minha cabeça, uma jornalista que se preze precisava falar inglês. Foi só quando eu terminei a faculdade e fiquei financeiramente independente dos meus pais que eu decidi que estava na hora de correr atrás do prejuízo. Pesquisei todas as escolas famosas com endereços na minha cidade – Fisk, Wizard, CCAA. Todas eram muito caras para o meu orçamento. Até que minhas colegas me falaram do Sesc. Confesso, fiquei um pouco receosa: inglês no Sesc? Será? Depois de elas me falarem sobre, fui atrás, fiz o teste de nivelamento e, pasmem: caí no básico 4, um nível antes do intermediário. Lembro de como fiquei orgulhosa daquela conquista.

Os anos foram passando, continuei as aulas no Sesc, e, a certa altura, até cogitei um intercâmbio com a minha irmã, ideia que acabamos abolindo porque achamos que o investimento seria muito alto para ficar apenas um mês. Enfim, fiz algumas viagens e tudo mais, mas a maior prova de fogo foi quando nos mudamos para Nova York, em janeiro de 2014. Eu cheguei com um inglês ok, mas eu queria melhorar. Sem dinheir para pagar escola – sabe como é, imigrantes recém-chegados, investimos nossas economias em mobiliar e alugar apartamento – eu comecei a fazer o curso de inglês da Biblioteca Pública de Nova York. Também contratamos uma professora particular para ajudar na pronúncia. Os primeiros meses foram complicados, não vou mentir – tinha a insegurança mais o fato de não conseguir entender algumas pessoas. Uma das maiores conquistas daquele primeiro ano foi fazer o ESL Fashion Business Program do FIT – Fashion Institute of Technology, um programa de três semanas para estudar moda. Eu fiquei muito ansiosa, afinal, eu iria para uma aula em inglês onde eu não ia aprender inglês – eu iria aprender moda. E se eu não entendesse? Quando as primeiras aulas rolaram e eu percebi que entendia tudo, senti uma felicidade gigante, que foi completa ao final das três semanas, quando apresentamos o projeto final.

Depois do FIT, ainda investi muito no meu inglês: procurei outro professor de pronúncia alguns anos mais tarde, continuei fazendo as aulas na Biblioteca, entrei num grupo de leitura. E sigo aqui, ainda aprendendo palavras novas, ficando um pouquinho nervosa ao ir ao médico, errando algumas palavras ao escrever. Mas, acreditando que falar uma segunda língua é se colocar em um eterno aprendizado. E por que eu falei tudo isso? Primeiro, para mostrar que não se aprende de um dia para o outro. Segundo, porque precisamos falar sobre a vergonha, o medo e a auto-estima relacionadas ao ato de falar uma segunda língua.

Faz algumas semanas, eu abri os meus stories para falar sobre o visto de trabalho americano – mas, naquele dia, como um teste, decidi fazer os stories em inglês e em português. Não pensei muito, só fiz. Não bastasse o debate sobre o caminho árduo para um visto de trabalho, outro debate foi gerado: o de falar inglês. Rapidamente, recebi mensagens de mulheres dizendo o quanto tinham vergonha, ou que não se sentiam preparadas o suficiente ou pior, muitas relataram episódios em que sofreram piadas e críticas duras. Dentre os desafios de morar entre outro país, existe um que qualquer pessoa enfrenta, independente do gênero, cor ou classe social: aprender uma segunda língua. Seja para trabalhar, seja para a vida social, seja para se virar no dia a dia, não importa – falar a língua do lugar onde você mora é essencial e pode te abrir muitas portas. Mas, como superar essa vergonha e o medo de errar? Quantas vezes acabamos nos definindo por um sotaque? Eu gravei um podcast sobre esse tema – que vou linkar ao final do post – mas decidi trazer aqui pro blog alguns pontos importantes e, de quebra, reunir mais algumas dicas do podcast e de seguidoras:

  • Celebre as pequenas conquistas – pegue qualquer meta da vida – seja emagrecer, fazer um negócio crescer, encontrar um emprego, falar inglês – e você vai perceber o quanto focamos apenas na linha final, como se quando a gente alcançasse tal linha seríamos felizes para sempre. A verdade é que quando você atingir a meta para a qual se propôs, provavelmente já terá criado novas metas. Muitas vezes, a graça está na jornada e não no objetivo. É por isso que temos que celebrar mais as pequenas conquistas! Talvez leve meses para você chegar ao nível que de inglês que você deseja, mas até lá, ao invés de focar somente nos seus erros, por que não comemorar os aprendizados? Seja aceitar um elogio sobre o seu inglês, seja finalmente conseguir pronunciar aquele som, seja se expressar numa reunião de trabalho, seja apresentar um projeto, não importa: enxergue aquilo que precisa melhorar sem deixar que isso ofusque as pequenas conquistas. A gente precisa dar mais valor para isso.
  • A vergonha nos limita – o quanto você deixa a vergonha controlar a sua vida? Sair da zona de conforto é… desconfortável. Falar pela primeira vez, escrever pela primeira vez, perguntar algo pela primeira vez – em inglês – são situações novas e que nos deixam desconfortáveis. Sabe o ditado “é errando que se aprende?”. Vale para o inglês. Quando cometemos erros, temos a chance de mentalizar e lembrar daquele erro e treinar para que ele não se repita. Esperar você ter um inglês perfeito é auto-sabotagem, visto que… isso não vai acontecer. E sabe por que? Porque, como o nome fala, é uma segunda língua. Não é a sua língua materna. E você estará sempre em eterno aprendizado.

  • O quanto o lance de “perder o sotaque” te impulsiona a nunca parar ou te deixa estagnado? Existe uma grande diferença entre sotaque e pronúncia. Quem sabe, se você levar isso para esse contexto fique mais fácil de aceitar: no Brasil, todos nós temos sotaques, sejam gaúchos, cariocas, paulistas, baianos, pernambucanos, catarinenses. Por acaso o sotaque gaúcho impede alguém de falar o português corretamente? Não. Então, tente mentalizar isso quando você cismar com seu sotaque brasileiro. Sotaque não te impede de falar um inglês coeso e correto. Sotaque não é sinônimo de incompetência. Sotaque é identidade e carrega sua história – você estudou muito para aprender uma segunda língua. Sotaque também é um lembrete de que somos, no mínimo, bilíngues. E, por isso também, você deveria parar de pedir desculpas pelo seu inglês. Para compartilhar uma história minha: dias desses publiquei uma crônica em vídeo em inglês. Para a minha alegria – e essa foi uma das pequenas conquistas que celebrei – recebi comentários lindos de gringos, dizendo o quanto eles tinham se identificado com as minhas palavras. O meu sotaque não impediu a transmissão da minha mensagem – e não os impediu de serem tocados pela minha mensagem. Então, lembre-se: sim, você pode sempre prezar pela excelência, pelo aprendizado e pela melhoria, mas não deixe o perfeccionismo te paralizar.
  • Cerque-se de pessoas que vão te ajudar de forma positiva – infelizmente, a maioria absoluta das reclamações e frustrações de pessoas que foram julgadas pelo seu inglês vieram de outros brasileiros. Se a sua amiga fala com você te humilhando, ela não é sua amiga. Lembre-se sempre que não são outros brasileiros que precisam aprovar seu inglês. Você precisa se fazer compreendido e procurar melhorar sempre. Entretanto, ao mesmo tempo, precisamos aprender até como corrigir as pessoas. Quantos traumas a gente não pode causar pela forma como falamos? É sempre bom pensarmos antes de ajudarmos, nossa ajuda realmente vai ajudar ou vai mais atrapalhar?
  • Mude o seu mindset – crie estratégias especiais. Por exemplo, não leve os seus erros tão a sério – a ponto de estragar o seu dia. Entenda que eles fazem parte do seu aprendizado. É legal também ter suas palavras favoritas e estratégicas – se você tem dificuldade com uma palavra ou uma expressão específica, por exemplo, procure opções mais fáceis e faça delas as suas palavras e expressões. Falou errado? Sorria, conte a história de como a palavra é em português, gere uma conversa interessante sobre diferenças na línguas e culturais. Essas são pequenas estratégias que podem ajudar você a fazer do limão uma limonada.
  • Por que você se cobra ser alguém que você não é? A grande maioria das pessoas acha fofo um americano falando português, um francês falando português. A gente inclusive valoriza o esforço da pessoa em estar tentando se comunicar, em aprender uma segunda língua. Agora, me responde: por que você também não se dá o devido crédito? Lembre-se: você fala uma segunda língua. Julgue-se menos. Seja mais gentil com você mesmo. Aceite os elogios.
  • Ser imigrante é apenas uma parte da sua identidade – ser imigrante é uma jornada intensa e vitalícia. É pra sempre, faz parte da sua identidade. Mas não te define. Você não é só um imigrante. Você tem qualidades – insira aqui quaisquer que sejam – e inclua elas no seu mantra diário de auto-confiança. Ser um imigrante não é a única característica que vai te definir. Eu, por exemplo, sou imigrante. Mas sou esforçada, interessada, dedicada, carinhosa e generosa. Escrevo bem, cozinho bem, sou criativa. Faça esse exercício com você mesmo.

Escute o podcast – também disponível no Spotify, Apple Podcasts e Google Podcasts:

Para seguir nas redes sociais

  • Inglês Nu e Cru rádio – O Inglês Nu E Cru é formado por um time pequeno de amantes de línguas que estão comprometidos a ensinar brasileiros a aprender inglês de forma rápida e eficiente. Contam com um podcast diário, Inglês Nu E Cru Rádio, que ensina inglês para brasileiros enquanto todos estão se divertindo e já já tem mais de 5 milhões de downloads. É comandado por Foster e Alexia, um casal de americano e brasileira. Fostter ensina inglês há mais de 10 anos e já ensinou mais de 10.000 brasileiros. Formou-se na University of the South com diploma de honra em Relações Internacionais e Espanhol e também tem MBA internacional da Darla Moore School of Business onde ele se formou com distinção. Alexia é brasileira, carioca e sempre foi uma curiosa das línguas. Formou-se na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-RJ) em Administração com ênfase em Marketing e Entretenimento e fez parte de núcleos ao longo da faculdade como o Núcleo Criativo que tinha como principal objetivo estudar os diferentes setores criativos no Rio de Janeiro entender como funcionavam.
  • English Yourself – plataforma de Lilian Bittencourt, professora de Inglês com mais de 24 anos de experiência. Lilian tem um canal no Youtube e explica inglês com muita clareza e bom humor. Lilian também tem o Curso English Yourself. Um curso completo, que vai do nível básico até o mais avançado, e que você pode fazer de qualquer lugar (100% online), com todo o suporte que precisa em uma comunidade fechada moderada por ela. As matrículas abrem de tempos em tempos. Fique de olho!
  • Carina Fragozo – Carina Fragozo é formada em Letras com habilitação em inglês pela PUC-RS, mestre em Linguística pela mesma universidade e doutora em Linguística pela USP, com ênfase na aquisição fonológica de línguas estrangeiras. Professora de inglês há 14 anos, tem vasta experiência no ensino da língua para estudantes de todas as idades e níveis de proficiência. Em 2013 criou o English in Brazil, hoje um dos maiores canais educacionais do país, com mais de 1,3 milhões de inscritos, e referência no que diz respeito ao ensino de inglês para brasileiros. Em outubro de 2018 lançou o livro “Sou péssimo em Inglês: Tudo que você precisa saber para alavancar de vez o seu aprendizado” pela editora HarperCollins, o qual se tornou um best-seller no país. Também tem um curso de inglês online.

Plataformas e aplicativos

  • italki – é uma plataforma online que conecta alunos e mais de 10.000 professores ao redor do mundo! Eu acho o italki incrível! Você escolhe o professor de acordo com seus objetivos e interesses e pode contratar aulas individuais ou pacotes especiais. E tem a conveniência de poder estudar a qualquer hora, em qualquer lugar. E mais:  não é só para inglês não tá? São dezenas de idiomas: francês, mandarim, italiano, coreano e muito mais! Eu já usei o italki para inglês e para espanhol – ah, e vale lembrar que vários professores oferecem uma “aula amostra” grátis ou bem baratinha! Clique aqui e faça seu cadastro.
  • Cambly – o Cambly é a única plataforma de aulas de inglês online que conecta alunos instantaneamente com professores de inglês nativos de língua inglesa. Assim, o aluno pode fazer aulas particulares ao vivo, por vídeo chamadas, 24h por dia. Tudo é flexível: qualquer dia, qualquer horário, é só abrir o app ou o navegador no computador e começar a aula com um professor. No Cambly, você escolhe a sua assinatura de acordo com quanto tempo por dia quer fazer aula (15min, 30min, 60min ou 120min) e por quantos dias na semana (2x, 3x, 5x ou 7x na semana), o professor com quem quer falar se quer reservar aulas com um professor específico em um horário específico. Importante: o Cambly é só para ensino de inglês. Clique aqui e você terá 10 minutos grátis na plataforma. Não esqueça de incluir o código LAURANYBLOG
  • Babbel – a Babbel é atualmente o aplicativo de idiomas mais bem-sucedido do mundo, contando com mais de 1 milhão de assinantes, e com uma equipe de especialistas em idiomas que pretendem ajudar todo o mundo a aprender uma nova língua. O aplicativo da Babbel permite que você tenha acesso a aulas práticas dos mais diversos idiomas em qualquer lugar e em qualquer momento, com lições curtas e focadas em situações da vida real. São 13 idiomas disponíveis. Clique aqui!
  • Grammarly – é um assistente virtual para te ajudar na escrita em inglês. De gramática e ortografia a estilo e tom, o Grammarly ajuda a eliminar erros e encontrar as palavras perfeitas para você se expressar em seu texto. É uma extensão que você instala no seu navegador e/ou no celular. A versão grátis ajuda com ortografia, gramática e pontuação. Já a versão paga ainda ajuda com legibilidade, fluência, escolha de palavras, linguagem inclusiva, nível de formalidade e sugestões avançadas adicionais. Tenho a versão paga e me ajuda muito! Gosto de abrir o app no computador, colar o texto lá e ir trabalhando nele com a ajuda do Grammarly. Clique aqui.
  • Duolingo –  aplicativo educacional mais baixado do mundo, com mais de 300 milhões de usuários. A missão da empresa é tornar a educação gratuita, divertida e acessível a todos. Duolingo foi projetado para parecer um jogo e cientificamente comprovado para ser eficaz. Além de sua plataforma principal, a empresa criou o Duolingo English Test, uma opção de certificação de idioma acessível e conveniente que é aceita por mais de 2.000 universidades. Tem vários níveis e exercícios que trabalham escrita, escuta, fala e leitura. Ótimo para complementar os estudos! Vários idiomas disponíveis!
  • Toastmasters – é uma organização educacional sem fins lucrativos que ensina habilidades de oratória e liderança por meio de uma rede mundial de clubes. Com sede em Englewood, Colorado, o quadro de associados da organização ultrapassa 358.000 em mais de 16.800 clubes em 143 países. Desde 1924, a Toastmasters tem ajudado pessoas de diversas origens a se tornarem palestrantes, comunicadores e líderes mais confiantes. Os membros pagam uma taxa de U$45 por semestre. O Toastmasters é ótimo para melhorar suas habilidades de falar em público, desenvolver habilidades de liderança, praticar redação de discursos e a apresentação em grupo e desenvolver autoconfiança.
  • Tandem – é um aplicativo que conecta nativos de quase qualquer idioma que querem aprender a sua língua em troca. Pratique a escuta, melhore sua pronúncia e aprenda a falar uma língua estrangeira como um local – independente de onde você estiver. O app é gratuito e também há a versão paga – super barata – com outras funcionalidades, como tutores profissionais e a possibilidade de marcar um encontro com alguém do Tandem na cidade onde você estiver. Confira mais detalhes no site.

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2 Comentários

  1. Oi. Só pra dizer que adoro seus posts e vídeos e que a citação da Amy Chua será meu lema de hoje em diante! 😉
    Já compartilhei o link deste post.
    Parabéns!! E obrigada.
    Bjs.

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