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Laura Peruchi

Comida de rua em Nova York: delícias que você precisa experimentar

Muita gente pode até ter preconceito, mas a verdade é que os food trucks de Nova York são uma ótima opção para experimentar uma comida gostosa sem gastar muito! A vigilância sanitária daqui é muito exigente com a higiene dos carrinhos – aliás, não é fácil conseguir uma licença para operar nas ruas da cidade. Em Nova York, a vida é sempre muito corrida, o horário de almoço é curto e muitas pessoas preferem buscar comida na rua e voltar para o escritório. Por isso que os food trucks são tão populares. Hoje, selecionei quatro food trucks que eu considero imperdíveis!

Wafels & Dinges – sua estadia na Big Apple precisa incluir um dos deliciosos waffles da Wafels & Dinges. O food truck é famoso na cidade e não há como resistir, você vai sentir o cheirinho: waffle quentinho, com massa crocante por fora e macia por dentro. As coberturas incluem sabores como Nutella, chocolate, doce de leite… Sério, vai ser o melhor waffle da sua vida!

Clique aqui e confira os endereços dos carrinhos

Halal Guys – você vai ver vários carrinhos de Halal em Nova York. O prato consiste em arroz, gyro (carne de cordeiro) ou frango (ou um mix dos dois), uma saladinha e um molho branco. É uma refeição para lá de bem servida. Mas o mais clássico dos carrinhos é do Halal Guys – é o molho branco da rede – que abriu até restaurante por aqui – que faz toda a diferença! Só tome cuidado com o molho apimentado, é bem forte.

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Calexico – que tal uma comida mexicana? O Calexico tem um restaurante em Nova York, mas sua história começou com food trucks, que continuam funcionando na cidade. Três irmãos da California criaram a rede que tem menu caprichado: tacos, burritos e nachos eleitos entre os melhores de Nova York por veículos de comunicação como o Zagat. O burrito é sensacional!

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Brooklyn Popcorn – quem não gosta de pipoca? O snack que parece simples e vai bem com tudo – principalmente na hora do cinema – ganha versões deliciosas assinadas pela Brooklyn Popcorn. Além dos sabores doces como chocolate e caramelo, há versões salgadas como cheddar e sour cream. Impossível resistir ao sabor, ao cheirinho e à textura crocante.

Clique aqui e confira os endereços dos carrinhos

 

10 programas no Brooklyn!

Por muito tempo, Manhattan foi a protagonista dos roteiros das viagens a Nova York. Não dá para negar que a ilha tem uma gama ilimitada de coisas para fazer, mas, como eu sempre digo, nem só de Manhattan vive Nova York! Os outros grandes bairros da cidade rendem programas incríveis e hoje decidi listar 10 coisas legais para se fazer no Brooklyn. Sim, o Brooklyn vai muito além da icônica ponte e não, não tem como cobrir esse bairro em apenas um dia (nem em uma vida). Abaixo, sugestões do que fazer pela região!

Atravessar a Brooklyn Bridge e curtir a região do Dumbo – a travessia dessa ponte é quase que passeio obrigatório para quem vem para Nova York pela primeira vez – e vale repetir se você tiver outras oportunidades. A Brooklyn Bridge é uma das pontes suspensas mais antigas do mundo – e a primeira construída para ligar Manhattan ao Brooklyn, com quase dois quilômetros de extensão. Foi inaugurada em 1883 – 13 anos após o início de sua construção. John Augustus Roebling era o engenheiro responsável pela obra – ele era alemão, mas vivia nos EUA há muitos anos – e tinha muita experiência na área de construção de pontes suspensas e a Brooklyn Bridge foi seu projeto mais ambicioso. Hoje, em média, 120 mil veículos cruzam a Brooklyn Bridge todos os dias, além de 4 mil pedestres e 2600 ciclistas. Depois de atravessar a ponte, você vai chear ao Brooklyn Bridge Park. Aproveite e tire um tempo para explorar o lugar  e sua vista maravilhosa.

Clique aqui e confira mais detalhes sobre esse passeio.

Estique o passeio e explore Brooklyn Heghts Promenade.

Visitar o Brooklyn Botanical Garden – é o Jardim Botânico do Brooklyn. São mais de 12 mil espécies, num espaço anexo ao Prospect Park (como o Central Park do Brooklyn), com muito espaço verde e flores lindas. Um dos lugares mais lindos para conferir a temporada de cherry blossom. Tem jardins de tulipa, jardins de rosas e o Jardim Japonês, que fica à beira de um lago e é uma lindeza só. A entrada é gratuita aos sábados das 10 ao meio-dia (exceto quando há eventos especiais). Às terças, também não se paga nada para entrar. Nos outros dias, o ticket custa U$12 (adultos) e U$6 para idosos acima de 65 anos e estudantes com ID válida. Crianças de até 12 anos não pagam.

Endereço: 990 Washington Ave.

Clique aqui e confira mais detalhes sobre esse passeio.

Conferir as street arts em Bushwick – Bushwick é o bairro do Brooklyn onde está a The Bushwick Colletive, um projeto sob a curadoria de Joseph Ficalora, que tenta encontrar e fornecer paredes vazias para os artistas de rua – que não são apenas dos Estados Unidos, mas também de países como França e Itália. A galeria a céu aberto começa na Jefferson Street e continua através da Troutman Street até a Saint Nicholas Avenue.

Como chegar: de metrô, use a linha L e desça na Jefferson St. Quando você sair, já verá algumas artes. A galeria começa na Jefferson Street e continua através da Troutman Street até a Saint Nicholas Avenue. A região não é extensa, então dá pra caminhar tranquilamente, sem pressa.

Clique aqui e confira mais detalhes sobre esse passeio.

Coney Island – Coney Island está longe de ser uma praia perfeita para o verão. Mas, levando em conta que Nova York é uma selva de pedras, o local é um bom lugar pra fugir do vuco-vuco da cidade grande e fazer um programa mais relax. Eu, particularmente, acho Coney Island um local mágico, encantador e nostálgico – já que muitos filmes, séries e clipes foram gravados lá. O  maior charme e diferencial de Coney Island são os dois parques de diversões que ficam na beira-mar, dando uma aura mágica ao lugar. A montanha-russa mais antiga do mundo, a Cyclone, fica lá, e ainda há outros tantos brinquedos radicais e outros nem tanto. Que tal uma voltinha na Wonder Wheel, roda-gigante que é um dos símbolos do local? Lá de cima, a vista é simplesmente incrível e dá até pra enxergar Manhattan. Além disso, a praia conta com muitos locais gostosinhos para comer.

 Para chegar em Coney Island, basta usar as linhas D, N, F ou Q.

Clique aqui e confira um vídeo sobre Coney Island.

Clique aqui e confira coisas para fazer no local.

Mast Brothers Chocolate –  a Mast Brothers foi criada por dois irmãos, Rick e Michael Mast, em 2007, e hoje conta com lojas em Nova York e também em Londres – em breve em Los Angeles. O destaque da marca fica por conta do processo de fabricação dos chocolates. Com cacau proveniente de lugares como Tanzânia e Peru, os chocolates levam poucos ingredientes – e todos orgânicos – e não contam com conservantes. Ou seja, são super naturais. A fabricação segue todo um ritual para garantir chocolates com sabor intenso e textura que derrete na boca. Não são fórmulas cheias de açúcar – mas também não são super amargos. Quem gosta de sabores mais intensos certamente vai curtir. É um conceito bem gourmet.  A Mast Brothers Chocolate tem loja e fábrica no bairro de Williamsburg – e o mais bacana é que é possível fazer um tour para conhecer mais sobre o processo de fabricação dos chocolates.

Endereço: 111 N 3rd St – use a linha L. 

Clique aqui e confira mais detalhes sobre esse passeio.

Smorgasburg – é uma das feiras de comida de rua mais famosas em Nova York.  Ela rola o ano todo, no Brooklyn, mas é no verão que ela fica mais legal, quando o evento rola ao ar livre. São mais de 80 barraquinhas que oferecem os mais diversos tipos de pratos e lanches, doces e salgados. A Smorgasburg rola todo fim de semana no Brooklyn. Aos sábados, no East River State Park, Williamsburg. Aos domingos, no Prospect Park. Sempre das 11 às 18h, faça chuva ou faça sol, até novembro. Depois, a feira parte para outro local, coberto. Acompanhe o site para conferir detalhes e clique em locations para checar os outros endereços da Smorgasburg (com menos barraquinhas).

Clique aqui e confira 5 delícias para provar na Smorgasburg.

Red Hook – Localizado ao sudoeste do bairro Carroll Gardens, Red Hook é um bairro do Brooklyn um tanto isolado por conta da falta de estações de metrô próximas. Isso acaba dando à região esse ar de “exclusividade”, digamos assim. Red Hook não é das áreas mais exploradas pelos turistas – o que é uma pena, pois há várias coisas legais para se fazer por lá. O bairro abriga muitos negócios artesanais e fábricas pequenas e foi drasticamente atingido pelo furacão Sandy. Para quem nunca ouviu falar do bairro, é lá que fica localizada a Ikea. Mas, Red Hook tem muito mais do que a Ikea para oferecer. Suas ruas calmas com paralelepípedos fazem você se sentir numa cidadezinha do interior. Rica em gastronomia, a área conta com restaurantes e fábricas perfeitos para um dia de degustação de muitas delícias. Tem vinícola, churrascaria texana, restaurante de frutos do mar e duas fábricas de chocolate.

Clique aqui e confira dicas do que fazer em Red Hook.

Explorar Greenpoint – localizado na parte noroeste do Brooklyn – um pouco acima de Williamsburg e ao sul de Long Island City – Greepoint tem ganhado cada vez mais destaque, com abertura de ótimos restaurantes e cafés, além do investimento em novos imóveis. Com uma atmosfera tranquila – com ruas tranquilas, de arquitetura que encanta – Greenpoint pode ser uma ótima opção para um dia em Nova York – especialmente se você busca por lugares fora da rota turística. Tem cervejaria, loja de chocolate, loja de cosméticos e uma vista incrível para Manhattan.

Clique aqui e confira um roteiro pelo bairro.

Ver as luzes de Natal em Dyker Heights – esse é um programa que só pode ser feito durante a época de Natal. Essa região é famosa pelas casas super decoradas na época de Natal. São milhares de luzes coloridas e bonecos em várias residências, iluminando as ruas e atraindo vários turistas para a região. A tradição começou em 1986 e agora o local atrai cerca de 100 mil turistas todos os anos, que visitam o bairro para conferir este show de decoração de perto. As casas contam com aquele design tipicamente americano, que deixa tudo ainda mais charmoso. Geralmente, algumas luzes já aparecem depois do Thanksgiving (fim de novembro), mas o período em que você certamente vai encontrar várias casas iluminadas  na metade de dezembro – e elas seguem assim até mais ou menos dia 8 de janeiro. Além disso, é melhor visitar o bairro durante os fins de semana, das 17h às 21h – pois as luzes são apagadas após este horário, geralmente. As casas estão localizadas entre a 11th Avenue e a 13th Avenue, da 83rd a 86th Street.

Confira mais fotos e informações sobre como chegar aqui.

Visitar o Brooklyn Museum – ótima alternativa para fugir dos museus lotados em Manhattan, o Brooklyn Museum tem um acervo caprichado. Dentre os destaques, uma coleção egípcia de 4000 peças – que inclui uma múmia preservada em seu caixão de origem. Há obras de Cézanne e Monet, além de esculturas e galerias de arte da África e Ilhas do Pacífico. O Museu ainda conta com exposições especiais periodicamente – já rolou uma sobre sapatos e outra de Jean-Paul Gaultier.  O ingresso custa U$16 mas a entrada é gratuita aos sábados, das 17 às 23h

Endereço: 200 Eastern Pkwy.
Gostaram? Não deixem de explorar os posts relacionados a cada um dos lugares, pois eles contam com mais detalhes, informações e fotos!

Para se despedir de Girls: 16 locações do seriado em Nova York

No último domingo, um dos meus seriados favoritos acabou: Girls. Exibido pela HBO, a mesma emissora que exibiu Sex and the City há anos atrás, Girls estreou na TV gerando toda uma expectativa. Afinal, a série trataria sobre a vida de quatro amigas morando em Nova York. Rapidamente, muita gente já fez a comparação com Sex and the City – para reforçar, Hannah, a protagonista, também é escritora (Carrie Bradshaw feelings). Quando a série estreou, rapidamente deu para perceber que a comparação com Sex and the City não poderia mais existir. Girls retratou a vida quatro amigas de 20 e poucos anos vivendo em Nova York.Hannah, Marnie, Jessa e Shoshanna se viram como podem para pagar o aluguel, não frequentam os melhores restaurantes e festas e seu figurino passa longe das grifes famosas. As meninas são cheias de defeitos (e quem não é?) e, para mim, a série fez ainda mais sentido depois que vim morar em Nova York, pois acho que a história retrata mais a realidade da cidade. Sem contar que o enredo é nada óbvio e previsível. Girls vai deixar saudades no meu coração… e como já fiz post falando de locações de Mad Men e também dos restaurantes de Sex and the City, achei que seria bacana fazer um post para mostrar 16 locações do seriado.

Acima, vocês conferem uma foto da cena e, abaixo, os pontos marcados no mapa, com a informação da temporada e um pequeno resumo da cena. Obviamente, esses não são as únicas locações de Girls em Nova York. Neste link, dá para conferir mais de 40 locações da série. 

Bônus: para celebrar as seis temporadas da série, a HBO e o Refinery 29 promoveram uma exposição especial na semana passada. Durou apenas dois dias e passei lá para conferir. Tinha vários objetos, alguns figurinos, roteiros… nostálgico demais! Teve até reprodução do apartamento da Hannah! Como não amar?

Bônus 2: a foto do pôster da sexta temporada foi feitam em frente ao River Deli, um restaurante que fica em Brooklyn Heights e que é uma delicinha – já falei dele neste post aqui!

Girls vai deixar muitas saudades! Quem quiser uma lembrança da série, dá para passar na loja da HBO e garantir algum souvenir especial. Tem mais infos sobre a loja aqui.

Gostaram do post? Quem aí assistiu Girls?

Conhecendo o Conservatory Garden, no Central Park

O Central Park é um dos locais mais famosos de Nova York. Não importa qual seja a estação, o parque sempre tem seu charme. É como o oásis da cidade, o ponto de refúgio dos novaiorquinos, um lugar para relaxar, fazer atividades físicas, ver a vida passar. Nevou? Todo mundo vai para o Central Park brincar. Dia lindo de sol? Todo mundo vai para o Central Park curtir. Costumo dizer que, nos dias quentes, é como se fosse a nossa praia: todo mundo acaba indo para o parque – e há quem leve o conceito de praia bem a sério e até toma sol de biquini. Sempre digo que é o tipo de lugar que merece bastante tempo do seu roteiro – pelo menos uma tarde, dependendo da temperatuta, obviamente. Afinal, o lugar é enorme: vai da 59th St até a 110th Street. Há vários pontos famosos por lá – tô planejando um post para guiar vocês nesse quesito – mas hoje eu queria falar sobre um ponto muito especial: o Conservatory Garden. Não vejo muita gente falando a respeito, mas acho que o lugar merece muito uma visita durante o seu passeio pelo Central Park.

Localizado na altura da 105th St com a Quinta Avenida, o Conservatory Garden é o único jardim “formal” do parque. Tem uma atmosfera silenciosa, um clima mais calmo – já que bicicletas não são permitidas ali dentro. Aberto em 1937, é composto por belas plantas sazonais que são organizadas em três estilos: Inglês, francês e italiano. Estava super curiosa para conhecer o lugar de perto e no último fim de semana, com o domingo super ensolarado – e como agora estamos na época de cherry blossom – aproveitei para dar uma passada lá, conhecer o local e fotografar para vocês! Fiquei encandada – realmente, a vibe dos jardins é bem diferente do restante do parque, é como um jardim botânico. O lugar não está no auge da sua beleza – as fontes de água não estavam ligadas e algumas árvores ainda estavam secas. Porém, havia muitas árvores floridas, o que deixa qualquer lugar mágico. O Conservatory Garden tem vários lugarzinhos para sentar e também uma passarela mais elevada, de onde dá para visualizar todo o jardim. É, inclusive, um dos locais preferidos de quem escolhe casar no parque!

Adorei o Conservatory Garden! Lá no site do jardim, dá para acompanhar a época de florada – segundo as informações do site, a temporada de flores vai de março a agosto. 

7 coisas que você precisa saber antes de morar fora

Vocês sabem que, além das dicas de Nova York, eu gosto muito de dividir com vocês as verdades sobre morar fora. Esse assunto já foi tema de vários posts e vídeos aqui no blog e é algo que sempre me inspira a escrever. A gente tem essa ideia de que morar fora é sempre melhor – afinal, a grama do vizinho é sempre mais verde, não é – e acho que quando se trata de Nova York essa ideia é ainda mais romantizada. Faz três anos que eu moro aqui – e, por enquanto, não temos planos de voltar ao Brasil. Sim, sou muito feliz morando aqui – e não, isso não significa que a minha vida seja perfeita e sem problemas. Morar fora soluciona, sim, alguns problemas, mas não zera essa equação. Os problemas são outros. Hoje, resolvi falar sobre 7 coisas bem importantes sobre morar fora, que têm muito a ver com o estilo de vida e com o processo de adaptação aqui. Esses fatos são baseados na minha experiência e pode ser que não se apliquem a todas as pessoas. Mas, de qualquer forma, achei válido compartilhar….

1. O idioma sempre vai ser uma barreira – não importa quantos cursos de inglês eu faça – a minha língua materna sempre vai ser o português. E aqui nem estou entrando apenas no mérito do sotaque, que sempre vai “entregar” o fato de que sou estrangeira – em um cidade como Nova York, isso não é um problema sempre. Falo de vocabulário mesmo. Eu me considero fluente, mas infelizmente a gente não está preparado 100% para todas as situações que a vida te apresenta. No momento, estou fazendo um tratamento médico e cada vez que vou ao consultório, meu inglês é colocado à prova. São termos que não entendo – e que estou aprendendo – são palavras que preciso encontrar para me expressar. Confesso: é frustrante. Principalmente quando o seu interlocutor não entende o que você quer dizer. E não importa se um dia eu me torne uma cidadã americana – eu vou ser sempre brasileira. E não estou falando que me acho menor por isso, muito pelo contrário, tenho muito orgulho das minhas origens.

2. Você precisa se reinventar e começar do zero – tenho muitas amigas que vieram morar aqui pelo mesmo motivo que eu – o marido foi contratado ou transferido pra cá. Todas nós tínhamos carreiras no Brasil: advogada, jornalista, engenheira química, farmacêutica. Ao contrário do que muita gente pensa, o mercado de trabalho aqui é acirrado. Já parou para pensar quantas pessoas estão aqui em busca dos seus sonhos? Quantas pessoas, de todos os cantos do mundo, estão na busca do seu lugar ao sol? E já parou para pensar que nem sempre é só chegar e começar a exercer sua carreira? Profissões como advogadas e outras da área da saúde exigem mais formação e provas para que você se enquadre aos requisitos de trabalho aqui. Muitas vezes, é preciso recomeçar do zero. Conheço pessoas que estão trabalhando em áreas completamente diferentes, já outras que estão há algum tempo estudando e se dedicando para tentar se adequar às exigências. E você sabia que nem todas as categorias de visto de trabalho dão, automaticamente, autorização de trabalho para o esposo/esposa? Sim, o visto de trabalho, o mais desejado por 90% das pessoas, não dá autorização de trabalho para o cônjuge. Não me pergunte o motivo, essa é a pergunta que deve pipocar na cabeça de todas as mulheres (sim, a grande maioria dos vistos H1B emitidos são para homens) que estão aqui e ficam impossibilitadas de trabalhar. Para quem tem planos de carreira e ambição, é bem frustrante. Isso que estamos falando dos trabalhos formais. Não dá pra ignorar o fato de que há milhares de pessoas que vêm para os EUA “tentar a vida”.  Gente que tinha emprego “bacana” no seu país de origem e vem pra cá trabalhar como garçom, com faxina ou cuidando de crianças. Nada menos digno, porque nenhum trabalho te faz melhor que o outro, né? Mas e você: estaria sujeito a qualquer tipo de trabalho?

3. Perda de identidade – isso tem muito a ver com o tópico anterior. No Brasil, você tinha a sua carreira, a sua profissão, a sua identidade. Eu era a Laura, naural de Meleiro, que estudou na Unisul, filha do Donato e da Meri, que trabalhava com mídias sociais, que tinha um blog sobre moda e beleza. Aqui, as suas referências não servem mais para nada. É como se você zerasse a sua vida e precisasse reconstruir sua identidade. Agora, eu sou a Laura, brasileira, que mora aqui desde 2014, blogueira que escreve sobre Nova York, criadora de um aplicativo, casada. Óbvio que não é só isso que resume quem eu sou, mas muita coisa mudou. Tudo que eu vivi até vir morar em Nova York contribuiu e muito para a pessoa que me tornei, mas são referências internas. Ninguém conhece a minha cidade – aliás, pouca gente conhece mais que Rio ou São Paulo quando o assunto é Brasil. Meu currículo, apesar de ser interessante para a cidade onde eu morava, não é tão bom assim para concorrer num mercado como o de Nova York. Apesar de eu estar morando legalmente aqui, não sou livre para fazer o que quero, pois a imigração limita bastante o que uma pessoa pode fazer aqui, em termos burocráticos.

4. Desconstrua tudo – e quando eu falo tudo, falo até do gosto por comida. Nada contra quem mora fora e assina a Globo Internacional – quem sou eu pra dar pitaco na programação de televisão da casa dos outros? Mas, ao mesmo tempo que você não quer perder a novela, permita-se assistir outras coisas. Tem que acompanhar o noticiário, saber o que está acontecendo no lugar onde você vive. Também é preciso ter em mente que os hábitos são outros. Falando em Nova York, não esqueça que espaço é artigo de luxo e os apartamentos são pequenos, que ter carro não é algo viável, que o inverno é bem diferente do Brasil (e dura meses), que você vai precisar levar a sua roupa para lavar… E que talvez você não vá encontrar mamão papaya no mercado, mas em compensação tem morangos e framboesa por um preço muito mais em conta. Que talvez você não encontre aquele leite condensado em todos os mercados, mas que aqui tem outras milhares de coisas que não existem no Brasil. Corte o cordão umbilical. “Ah, mas no Brasil não era assim”. Exato, mas, lembre-se: você não está mais no Brasil. Não adianta reclamar que a cerveja não é gelada o suficiente, ou que o café é fraco demais, ou que aqui não dá para parcelar as compras. Desconstruir conceitos e adaptar-se à nova rotina é muito mais fácil do que ficar lutando contra coisas que você não vai conseguir mudar.

5. Conheça e viva a cultura – o último domingo foi Páscoa e, dias antes, ao me despedir de alguém que eu não veria até a semana seguinte, a pessoa me desejou Feliz Páscoa. Agradeci e fiz o mesmo, mas depois fiquei pensando em como a vida para Nova York mudou nosso jeito de encarar datas comemorativas. Natal continua sendo sagrado para mim, mas a Páscoa sempre passou em branco. Confesso que nunca foi minha data favorita e talvez por isso nunca fizemos nada especial. E também porque aqui não é algo tão forte como no Brasil. Em compensação, a gente fica animado para o Halloween e já faz planos para o Thanksgiving. Acho muito gostoso incorporar novas celebrações na nossa vida, faz a gente se sentir mais “incluído” no lugar onde vivemos.

6. O mito do barato – as pessoas ficam muito animadas para fazer compras em Nova York, porque os preços de muitos produtos costumam ser mais em conta quando comparados com os praticados no Brasil. Mas a vida das pessoas aqui não se resume em comprar como Becky Bloom e Carrie Bradshaw. Falando especificamente da Big Apple – e eu sempre bato nessa tecla – é bom lembrar que a vida aqui é muito cara. Sim, é barato comprar roupas, maquiagem e eletrônicos, mas aluguel, impostos, mercado e plano de saúde não são nada baratos. Serviços, então, nem se fala. Esqueça empregada doméstica e salão de beleza toda semana – isso nunca foi um problema para mim, pois nunca tive esse padrão de vida no Brasil, mas sei que é realidade para muita gente. Nem todo mundo consegue morar sozinho – muito menos num lugar charmoso do West Village – ninguém tem vista pro Empire State, não dá para sair para tomar um drink todos os dias. Aliás, não dá nem para você fazer o louco consumista, porque é muito provável que você não tenha espaço suficiente para guardar tudo o que compra.

7. Os benefícios são outros e o ritmo de trabalho também –  almoço com duração de uma hora e meia? 30 dias de férias? Emendar todos os feriados? Folga todos os fins de semana? Só no Brasil. O ritmo de trabalho aqui é bem diferente. Férias e licença-maternidade, por exemplo, dependem da política de cada empresa. Há empresas que dão até 28 dias de férias por ano, há outras que só liberam duas semanas. Nem todo feriado significa folga – alguns só beneficiam escolas mesmo. Sábado e domingo são dias de trabalho para muitas pessoas. E sabe o ditado “tempo é dinheiro”?. Pois é, aqui tempo vale muito mais dinheiro. A maioria das pessoas ganha por hora. Não trabalha, não recebe. Simples. Ah, e o almoço não é o mesmo ritual do Brasil. É difícil as pessoas pararem por muito tempo para comerem alguma coisa. Isso sem contar toda a burocracia dos planos de saúde. Não queiram saber os custos de consultas médicas e exames aqui. Sem contar o que me parece ser um pouco caso com prevenção a doenças. Sei que o SUS tem muitos problemas no Brasil, mas na cidade onde eu vivia, ele supria bastante as minhas necessidades. Aqui, não existe SUS.

Espero que tenham gostado do post! Morar fora é uma experiência ótima, enriquecedora, mas isso não significa que seja perfeita. Por aqui, vocês nunca me verão romantizando isso…