Diário de viagem

Diário de viagem a Nova York – Paula Cirilo

O Diário de Viagem é uma seção que traz relatos de leitores do blog. Nesses relatos, eles contam como foi a viagem a Nova York, o que mais gostaram de fazer, o que não gostaram, dividem dicas, enfim: um diário mesmo. A convidada de hoje é a Paula Cirilo, de Lisboa, Portugal. Ela ficou 7 dias na cidade, em agosto de 2018. Para conferir mais relatos, clique aqui.

Nesta viagem, fui como o meu marido e filho de 15 anos. Já tínhamos visitado outras cidades: Madrid, Paris, Amsterdam, Londres, Copenhaga, Estocolmo, Veneza, Havana e não há nenhum lugar como Manhattan. É caso para dizer: “antes de chegar já lá estarei e depois de partir lá ficarei”. Cenário de muitos filmes, difícil não reconhecer. Entre os prédios, o céu é uma espécie de rio invertido. Tentar vivê-la é o melhor que se pode levar, experimentá-la e sentir diferentes formas de arte, culturas, bairros, aromas e sabores. O contraste entre arquitetura moderna e clássica, por vezes faz-nos parecer que existem dois portais diferentes que nos transportam constantemente para o passado e futuro.  A oferta cultural é inimaginável bem como a quantidade de eventos, principalmente gratuitos, que acontecem por aqui. Nova York tem uma mistura de gente de todo o mundo: é engraçado ir no metrô e olhar para a diversidade de cor da pele, dos olhos, dos sorrisos, das expressões. Fiquei surpreendida positivamente em relação à simpatia e forma de estar muito cool dos americanos, sempre dispostos a ajudar. É impossível ir a Nova York e sentir-se indiferente, por isso fui conhecer os lugares mais emblemáticos que tão bem contrastam com o ritmo alucinante duma cidade que nunca dorme.

Levei 4 meses para organizar a viagem. Comprei passagens pela United Airlines, reservei hotel pelo Booking.com de 7 a 13 de Agosto, renovei os Passaportes e preenchi o ESTA Visa Application – visto de autorização de entrada nos EUA ($14 por pessoa) – 15 dias antes de embarcar. Depois comecei a anotar dicas de lugares, comidas, espetáculos, tudo num caderninho tipo Moleskine, uma forma um pouco old school, mas muito prática. Andava sempre comigo, cada vez que lia algo sobre Nova York registrava. Confesso que não gastei muito, graças às dicas da Laura a quem eu quero agradecer muito, foram imprescindíveis: Blog fantástico, com o qual me identifiquei de imediato. Depois de reunir todas as informações e tanto pesquisar, elaborei o meu roteiro de 7 dias, essencial mesmo para maximizar o tempo e não andar a saltitar de um lado para o outro.

Primeira coisa que pensei fazer quando comecei a organizar esta viagem foi comprar o New York City Pass mas depois que vi todos os vídeos da Laura até quando cozinhava rsrsrs, mudei de ideia. Só gastei em transportes com o AirTrain (do aeroporto/hotel), MetroCard e nos ingressos para o Top of The Rock. É importante ter pelo mesmo dois bons aplicativos: fiz download do Google Maps – só o mapa de NYC offline, tem indicações das estações de metrô, muito prático, e o NYC Subway. Andar de metrô é muito intuitivo, super fácil e era uma das coisas que mais me assustava.

Confira meu vídeo sobre os passes.

Quanto à comida optamos por coisas muito práticas. Em Lisboa come-se maravilhosamente bem – temos boa comida e não fui muito com intenção de explorar esta parte mais gourmet de Nova York. Passamos pelo Gotham West Marke onde comemos um Ramen maravilhoso, bom e barato, mas tem outras coisas muito variadas, recomendo vivamente; Shake Shake, que tem umas batatas ótimas, Prêt à Manger, Burger Joint muito cozy e onde há uns excelentes hamburgers. Utilizamos muito lojas de conveniência como Duane Reade,  que tem saladas deliciosas de todos os tipos, frutas fatiadas e iogurtes. Também fomos à Pizzaria Filaga do Chelse Market, que tem quadrados de massa crocante e ingredientes saborosos por U$5 a fatia, pode-se levar ou comer ao balcão e na Central Station Prova Pizzabar também servem a fatia e a pizza é deliciosa. Lanchonete Pure & Fresh ao lado do Hotel também com saladas, hamburgers vegetarianos e de carne e salmão. Ah, não deixe de provar o Pastrami, Ramen, o Bagel, o Cheesecake o Pretzel e as Pizzas que são divinais.

Dia 1 – Chegamos no aeroporto de Newark. Fomos de AirTrain para apanhar o Trem (NJ Transit) para Penn Station 34 St – 13$ por pessoa (Já inclui o preço do Air Tain 5$). Foram cerca de 30 minutos, muito rápido e evita-se trânsito.

Como ir do aeroporto ao hotel?

Fomos a pé até até à 36 St, fizemos check in por volta das 3 pm no Executive Hotel Le Soleil New York , um hotel com um staff bastante simpático, acolhedor, tranquilo, bons reviews, tinha Black Coffee incluído e uma coisa imprescindível, ferro de passar. Bem localizado, entre a Quinta e Sexta Avenida, perto da estação de metrô Herald Square, do Empire State Building e Macy’s.

Clique aqui e reserve o Executive Hotel Le Soleil New York.

Depois subimos até ao Bryant Park e fiquei maravilhada, primeiro impacto com esta cidade, rodeado de edifícios lindíssimos, quiosques com mesas espalhadas, árvores e plantas, um carrossel lindo, um lugar tranquilo para relaxar um pouco depois de uma viagem longa. Entramos na Biblioteca Pública, um edifício grandioso estilo beaux-arts, tem uma magnífica escadaria de mármore que conduz à ampla sala de leitura Rose Main. Seguindo pela Quinta Avenida, visitamos a sumptuosa Catedral St. Patrick de estilo Neo-Gótico, tem uma Rosácea lindíssima que brilha sobre um grande órgão de tubos e a Pietà esculpida por William Ordway inspirada na Pietà de Michelangelo situada na Basílica do Vaticano. Fica em frente ao Rockefeller Center, onde se situa o icônico edifício Comcast construído em 1930 (Top of the Rock), uma área com muita vida, repleta de lojas, restaurantes, e a sua famosa estátua dourada o Prometheus. Deve ser lindo no inverno com a pista de gelo e a famosa árvore de Natal. Já era final da tarde e seguimos até a Times Square, começou a chover e trovejar mas estava muito calor, o que ainda tornou mais mágico este lugar, deixando-me completamente sem palavras. Uma loucura, uma multidão, gigantescos outdoors com imagens fantásticas, parece que tinha entrado numa filme de ficção cientifica, gente de todo o mundo de várias etnias, muitos artistas de rua, música, arte, um lugar incrível, e fui me deixando arrastar por entre as pessoas, fiquei até ao cair da noite com parada obrigatória no Hard Rock Café, já que sou fã de Rock. Regressamos ao hotel, fizemos tudo a pé.

Dia 2 – Compramos o Metrocard ilimitado, entramos no Central Park pela entrada que fica em frente ao mítico Hotel Plaza e Apple Store. Passamos pela Gapstow Bridge, depois seguimos pelo Mall em direção a Bethesda Terrace. À medida que me ia aproximando, ia ouvindo umas vozes celestiais de cantores de rua que estavam por entre as arcadas, o eco entoava as suas vozes a cantar All of me de Jonh Legend, pareciam anjos, o que tornou este lugar ainda mais encantador. Lindo mesmo aquele terraço com tetos e paredes revestidos a azulejo, com uma fonte que tem a estátua de uma anjo, mesmo ao pé do lago, parece vindo de um conto de fadas, palco dos filmes Uma História de Encantar e Vingadores. Seguimos para a famosa e romântica Bow Bridge, com as torres de San Remo de fundo, aqui também havia um saxofonista tocando os clássicos do Jazz fabuloso. Seguimos para Strawberry Fiels, vimos o prédio DAKOTA onde morava o Jonh Lennon e fomos almoçar ao Shake Shake que fica perto do Museu de Historia Natural. Pagamos uma contribuição de U$1 para cada na bilheteira e ficamos até fechar. Depois, seguimos para o Metropolitan Museum só para tiramos foto na escadaria e descansamos um pouco enquanto apreciávamos o ambiente. Seguimos para o Jacqueline Kennedy Reservoir, passamos pelo Belvedere Castle, mas estava em obras, e descemos até à estatua Alice in Wonderland. Depois de comer qualquer coisa, fomos ao Lincoln Center ver um concerto gratuito Sun Ra Arkestra band 7 pm Lincoln Center’s Out of Doors. A seguir, passamos pelo Carnegie Hall a mítica sala de espetáculos e fomos para o Hotel.

Um guia para explorar o Central Park

Dia 3  – Descemos pela Quinta Avenida, seguindo a pé pela 34th St, curtindo o passeio até à entrada do High Line, que é um parque construído sobre os trilhos elevados de uma antiga linha férrea, que tenta preservar o aspeto selvagem da vegetação que foi surgindo. O parque mistura-se com o lado oeste de Chelsea e vai desde a 34th até à 14th street. É interessante apreciar a arquitetura dos edifícios e inevitável sonhar que um dia poderia ali morar. Fomos até Chelsea Market, uma antiga fábrica da Nabisco, estilo Vitoriano, que tornou-se um ícone e muito trendy.  Tem  de tudo um pouco: ingredientes frescos, take away, vinhos, cervejas, padarias, restaurantes asiáticos, italianos, orgânicos, bares. É um local muito pitoresco e cozy, tipo industrial artístico, com alguns elementos da antiga fábrica recuperados, amei! Comemos uma Pizza ótima! Seguimos até West Village até Perry steet 66, na famosa entrada da casa de Carrie Brandshaw da série Sex and the City, da qual sou fã. Descemos até o Soho, onde passei por acaso por uma famosa casa de intrumentos, a Rudy’s Music, que tem Guitarras lindíssimas (também sou fã de guitarras). Lá passaram nomes como Mark Knoffler de Dire Straits, Carlos Santana, BB King. Depois fomos a Little Italy, onde encontrei um Mural do Vhils, um street artist português que tem obras lindíssimas, e da artista Kelsey Montague, que tem pinturas de borboletas magníficas espalhadas pelo mundo inteiro, não resiti tirar uma foto. Seguimos até Chinatown e East Village, um bairro super descontraído e acolhedor tal como o Soho, com uma infinidade de livrarias, galerias, cafés bares e discotecas e com alguns edifícios mais clássicos lindíssimos.  Vi também o Mural do Michael Jackson na esquina da 1st Av e 11th do brasileito Eduardo Kobra. Não deixe de passar pela Stuyvesant St, uma rua em diagonal repleta de edifícios históricos e emblemáticos. Depois, regressamos ao hotel, descansamos um pouco para recarregar baterias e comemos uns sanduíches e fomos ver um concerto gratuito no Prospect Park Bandshell – no Festival BRIC Celebrate Brooklyn com o Guitarrista Gary Clark Jr e Fiona silver, foi um show!

Dia 4 – Depois do café da manhã, fomos ao Pier 86 ver o lendário Porta-aviões Intrepid, da Segunda Guerra Mundial, não chegamos a entrar, vimos só de fora, mas deve ser uma experiência única e ficamos por ali um pouco, passeando. Depois do almoço, fomos até à Grand Central, a maior estação do mundo, com a magnífica sala Main Concourse, com um teto decorado com as constelações do Zodíaco, castiçais em ouro e o lindíssimo e mítico relógio da Tiffany, cenário de muito encontros e desencontros. A seguir, fomos pegar o bondinho que vai para Roosevelt Island, um passeio imperdível, com uma paisagem deslumbrante e pode-se usar o MetroCard.  Andamos um pouco pela ilha e, quando regressamos, passamos pela Trump Tower, Love Sculpture, e fomos ao Moma, que é gratuito das 4pm às 8pm às sextas-feiras. Quem quer ver o museu com mais calma aconselho a comprar ingresso. Como era de graça, havia muita gente querendo entrar e o melhor é até entrar um pouco mais tarde para evitar a confusão de início. Ainda consegui ver a obra A Noite Estrelada de Van Gogh, um dos meu favoritos, e aproveitamos para desfrutar um pouco do jardim. Depois descemos pela Sexta Avenida até o Top of the Rock. Escolhemos este observatório porque tem melhor vista tanto para o Central Park bem como para o Empire. Tem uma plataforma sem vidro e 360 graus de visão. Compramos os ingressos de manhã, estava com pouca fila porque compramos em cash. Foi lindíssimo, ficamos ali vendo as luzes se acendendo aos poucos, ao crepúsculo aproveitando a vista sobre Nova York! Depois, seguimos até a Sétima Avenida. Subimos em direção Hope Scupture, uma obra artística de Robert Indiana que representa a esperança de mudar o mundo. Seguimos para as zona dos teatros da Broadway e cada um mais lindo que o outro. O que me impressionou foi o Lyric Theatre – a fachada do edifício tem uma apresentação lindíssima de Harry Potter and the Cursed Child.

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Dia 5 – pegamos o metrô até a estação Brooklyn Bridge City Hall. Seguimos o caminho de pedestre pela ponte, quase 2 km, vista impressionante. Avista-se ao longe a Estátua da Liberdade. Chegamos à Old Ice Cream Factory e comemos um maravilhoso Gelado de morango U$6. Seguimos pelo Brooklyn Bridge Park até o old pier 1. Tirei fotos maravilhosas deste cais com vista belíssima para o skyline e ficamos ali um pouco a desfrutar. Depois, seguimos até ao Jane’s Carousel e praticamente em frente subimos ao Brooklyn Historical Society, e este mesmo edifico conta com um rooftop com uma vista incrível! Sugestão também da Laura. Depois fomos  tirar umas fotos com a famosa Manhattan Bridge. Neste dia, era para irmos a Williamsburg, mas choveu tanto que ficamos por ali. Pelas 7.30 pmfomos ver The Breeders, Speedy Ortiz no Prospect Park Bandshell no âmbito do Festival Broolyn – BRIC Celebrate Brooklyn! Concerto também gratuito.

Confira dicas do que fazer no Brooklyn Bridge Park.

Dia 6 – Fomos ao culto do Broklyn Tabernacle das 13 horas. Imperdível, tem uma produção fantástica com orquestra e é gratuito. O coro é composto por mais de 100 pessoas e tem vozes maravilhosas, uma experiência memorável, convém ir 30 minutos antes por causa da fila. A seguir, pegamos o metrô para Fulton Street e fomos ver o One World Trade Center e Memorial do 11 de Setembro. É um local muito comovente, rodeado de árvores grandiosas e com algumas flores colocadas sobre os nomes que são homenageados no mural. Depois passamos pela estação Oculus, inaugurada em 2016, edifício com uma arquitetura brutal, tem também um espaço comercial. Depois passamos pela Trinity Chuch e New York Stock Exchange (bolsa de valores de NYC) virando pela mítica Wall Street, retomando pela Broadway, fomos ao Charging Bull e Feraless Girl. Seguimos em direção ao Staten Island Ferry para ir apanhar o Ferry que sai de meia em meia hora e é gratuito, vê-se a Estatua da Liberdade e o skyline, um passeio imperdível.

Saiba mais sobre o passeio no Staten Island Ferry!

Dia 7 – último dia! Fizemos o checkout e pedimos para guardar as bagagens. Fomos a pé até a rua 23, passamos pelo Madison Square Park e Flatiron, o magnifico edifício emblemático, cena de vários filmes, que tem o formato de um ferro de passar. Depois, entramos num espaço comercial italiano ali perto, o Eataly, com lojas, cafés, padarias, muito agradável, comemos alguma coisa e de seguida fomos à Macy’s e Madison Square Gardens. Compramos umas lembranças e, em seguida, pegamos o trem em Penn Station para ir ao aeroporto. Foi uma viagem muito gratificante e saí de coração cheio, espero voltar um dia… Nova York, já estou cheia de saudades!

Obrigada, Paula, por dividir seu relato conosco!

Gostaram do relato da Paula? Se você quiser participar, envie seu relato para análise para laura@lauraperuchi.com COM FOTOS, seu nome completo e cidade/estado. LEMBRE-SE que é preciso ser detalhista. Não precisa escrever um livro, mas seu relato tem que ser informativo!


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